Descobrindo os lençóis – Uma aventura às maravilhas tupiniquim  

               coisas que não se deve deixar de fazer nesta vida. Há lugares que não se pode deixar de conhecer. Neste primeiro mês do ano de 2010 me aventurei nos dois: fazer o que não se pode deixar de fazer e conhecer o que não se pode deixar de conhecer. Eu e mais quatro amigos numa aventura rumo às belezas de nossa terra. Descobrimos os lençóis, alvejados de brancura do Maranhão, descobrindo antes o açude Orós e depois o Delta do Parnaíba. Incrível, tanto a beleza destes lugares como o prazer de estar com estes caras por doze dias pilotando nossas motos. Aventura pura. Prazer imenso. Prazer intenso. 

                bastaria, para mim, pilotar a Kamila por tanto tempo. É meu remédio contra o estresse. Já me bastaria, também, passar tanto tempo ao lado de gente que compartilha de minhas paixões: moto e estrada. Já me bastaria o humor natural do Carline e a extemporaneidade do Carlos Maia. Havia, ainda, a seriedade do Lê e a ginga do Gênes.  Tudo isso e, ainda, a visita ao amigo Jailton carregada de emoção, por nós e por quem já está há bastante tempo longe da família e da amada. O tambaqui na brasa, delicioso, e o banho de chuva revigorante, prévia de tudo o que veríamos formam paginas de um livro de aventuras que se complementa com a visita às belezas naturais que ainda residem em minhas lembranças. Amigos, motos, estradas, gente, açude, lençóis e o delta do Parnaíba, capítulos deste meu post; partes desta minha aventura; pura. Prazer imenso. Prazer intenso.  

Capítulo I – Porque não ir. 

                Vou confessar, estava indeciso. Tinha alguns dias de férias para aproveitar e não queria ficar em casa, mas estava indeciso. Claro que conhecia os caras, mas nunca havia estado tanto tempo ao lado deles em tão diversificadas situações. Além do mais eram quatro ‘Vstrom’ e uma ‘Varadeiro’ e apenas a minha Kamila – uma ‘M800 Cruiser’. Também havia o fato de ser um estranho no ninho já que para os caras não seria a primeira vez em que estavam juntos. Para mim, com eles, era. 

                É complicado sair com caras que você, ainda, não conhece a personalidade, a forma de pilotar, de se divertir e tudo o mais. Não se sabe como será e o inicio pode até vir a ser o próprio fim. Não gosto de ‘podar’ ninguém, nem gosto que me podem. Numa aventuras dessas todos tem que ter o máximo de liberdade e de respeito, afinal de contas estamos de férias, estamos nos recuperando do estresse do ano todo, precisamos nos divertir, mas como se você não conhece os caras? Já andei com caras que não entendiam minha forma de ’extravasar’ e o que para mim seria normal para eles seria exagero. Seriam caras assim? 

                Do Carlos Maia eu já conhecia um pouco sua personalidade. Carinha como eu que gosta de uma biritinha e que tem uma capacidade de te conquistar como poucos com sua simpatia.  Mas e os outros? Surpresa, claro. Primeiro porque assim como eu ninguém procurou ‘podar’ a ninguém e, graças a Deus nossos gostos se convergiram, seja na estrada, seja na hora do rango ou do petisco, seja nos passeios e nos happy hours. Assim, quando um estava a fim de tomar uma cervejinha, todos estavam ou, ao menos estavam presentes. Se um estava a fim de parar, todos paravam sem reclamar ou mal estar. Nos passeios estávamos juntos. À noite birita na praça das cidades com todos os presentes, ao menos a maior parte deles já que o cansaço pegava um ou outro, de vez em quando. Tinha que valer a pena com estes sujeitos, e valeu. Mas, quem são afinal estes sujeitos? 

  

Capítulo II – os caras 

                Carlos Maia era quem eu mais tinha conhecimentos sobre a pessoa. É um cara super divertido e muito simpático e por quem tenho um grande respeito por ser um cara digamos assim, ‘diferente’. Lembra muito um velho irmão falecido. O mais ’liberto’ em todo o trajeto e o que mais tirou proveito de tudo. 

                Carlile, um empresário do ramo da cerâmica com um bigode que o caracteriza como um comediante daqueles nascidos no Ceará. Com certeza seria um bom humorista por suas tiradas, mas também um bom cantor haja vista a ‘canja’ que nos presenteou em Teresina com músicas do Gonzagão e até do Elvis. Imagine o sujeito, magro, alto, bigodudo, divertido e ainda cantor. Pena que resolveu levar o escritório junto em até pelo ao menos ¾ do percurso. 

                Lerário é um empresário do ramos dos motéis é um cara sério, observador e companheiro. Não é daqueles caras que se pode escrever muito, mas é um cara que você gosta de estar próximo. Transmite uma segurança para quem está ao seu lado que te deixa relaxado. 

                Genes é outro empresário. Este do ramo das pipocas. Simpatia apurada a um gingado bonito quando o assunto é um forró. Basta colocar a música e ele começa com o gingado. Como Carlile um cantor de banheiro de primeira afinal de contas todas as manhãs se podiam ouvir o cantarolar de músicas da Roberta Miranda e/ou do Bezerra da Silva. Super legal!? Ainda não consigo tirar da cabeça o ‘bicho feroz’ e ‘vá com deus’. Deu até vontade de re- escutar o vinil. 

                Outro que resolveu levar o escritório junto. Mais ameno que Carlile, mesmo assim ‘os negócios não podem deixar de ser feitos’. É a vida do empresário, enquanto se diverte se negocia.  

  

Capítulo III – Motos e estradas 

                Não tente andar com um custom em meio a um monte de bigtrail. A pegada é outra, à vontade também. Claro, a Kamila é mais uma Cruiser. Tem pneus e uma boa tocada tanto para as retas quanto para as curvas, mas nunca será igual. Jamais iria descer serras como as que descemos pensando ser a Kamila uma bigtrail. Quando tentei, me dei mal e quase ‘sobro’ em duas curvas infernais. Nas retas era fácil seguir os caras, não somente porque o acordo foi o de segurar no máximo a 140, mas também porque quando este limite foi ultrapassado em 20 ou 30 a mais eu conseguia tirar forças de minha menina. Agora em curvas, repense. Baixar demais a moto de pouco vale, pode ate raspar a pedaleira. Tente ‘esterçar’ uma custom/cruiser em curvas de raio bastante fechado a 120 ou 130 km por hora. Batedeira de bolo dá melhores resultados e a confiabilidade dos freios traseiros limita a coragem. Mesmo assim, fui valente. Rodovias sem asfalto?! Não, nem vou descrever. Ainda mais a descida de uma serra em piçarro! Como já havia escrito em outro post ‘II circunviagem’ é uma cruiser que pensa ser trail. Incrível as respostas que esta minha moto me dá quando dela necessito. Mesmo assim ainda tenho a consciência de que ela é apenas uma cruzadora. É preciso ser consciente e pensar nos limites. 

 Capítulo IV – Gente 

                Impossível fazer uma viagem destas, de moto ou de carro, em que você para nos mais diversos pontos, sem deixar de conhecer gente, as mais curiosas possíveis. Não seria diferente nesta aventura. Assim não poderia deixar de descrever um pouco das figuras de Dona Lourdes, Marcelo, Vavá e o Mainha. Por ordem, então. 

                O Mainha, xará de Carlos Maia que também é chamado carinhosamente com a mesma alcunha foi nosso primeiro gondoleiro ou barqueiro como preferirem. Figura simpática que te oferece o passeio de barco pelo açude Orós, no Ceará. Bom papo, atencioso e prestativo te leva até a Dona Lourdes. 

                Dona Lourdes é a dona de uma pousada em uma das mais diversas ilhas que existem no açude Orós. Entre elas a do cantor Fagner que, por infelicidade, não nos deu o ar da graça. Mas havia Dona Lourdes. Simpática de sorriso farto e voz eloqüente esta figura é Tia do cantor. Em sua pousada há apenas um ritmo musical e uma só voz. Adivinhem! Prestativa no atendimento, dona de posses nos mais diversos ramos de atividade, mas humilde e convidativa em nos acompanhar num bate papo gosto sobre o Orós, Fagner, água e diversão. Interessante esta senhora, muito interessante.           

                Vavá e Marcelo entre outros dois que me falha a memória foram ou pilotos de barco ou pilotos de Toyota. No primeiro caso na travessia do rio preguiça e no segundo no rio Parnaíba. Sensacional, o passeio, a adrenalina nas manobras, as paradas nos igarapés ou nos bares e restaurantes que circundam estes rios. No segundo caso pelo passeio de Toyota até a chegada aos lençóis. Difícil dizer que o passeio tenha menos prazer que a caminhada sobre aqueles montes de areia fina e alvejante. Transitar sobre um piso de pura areia, de sulcos profundos e curvas a balancear o carro e coisa para quem sabe fazer. Melhor mesmo é curtir. Figuras que recomendo que conheçam. Tornará sua viagem mais divertida. 

  

 Capítulo V – Açudes, lençóis e delta 

                Difícil escolher algo mais bonito. Claro que o objetivo quando o trajeto foi traçado era o de conhecer todas estas maravilhas de uma só vez no menor espaço de tempo possível. Horrível, desta forma,, precisarei repetir tudo com mais calma, aproveitando melhor. 

                O açude Orós é uma das grandes obras de Juscelino que com sua visão de brasilidade e de empreendedorismo percebeu na grandiosidade do represamento do rio Jaguaribe uma fonte de riqueza e de fornecimento de água para o povo Cearense. 

                Açude enorme com capacidade de 2.100.000.000 m³, o que é água prá caramba, tem em seu leito várias ilhas nas quais se pode, até, criar gado. Foi o que fez Dona Lourdes que transportou estes animais para sua ilha onde está sua pousada. 

                O passeio e o mergulho em águas de correnteza leve, que podem te enganar são obrigatórios para quem visita este açude. Sem lembrar, é claro de contratar o Mainha e visitar dona Lourdes para um bom papo, uma cerva gelada e um ótimo peixe. 

                Os lençóis Maranhenses, de pura beleza é um Parque Nacional completamente, protegido, tomado por bancos de areias móveis de vegetação rasteira. Parece improvável vida naquele lugar, mas existe. Vilas se formaram em lugar cujo acesso somente se dá por animais ou a pé já que suas ruas são de pura areia; grandes sulcos de areia. A vegetação é toda rasteira em bancos de  areia. 

                Estradas?! De areia. Transporte?! Somente Toyota com seus pneus largos e quase que completamente vazios. Um prazer único no balançar da suspensão rompendo os sulcos de areia até os bancos maiores. Chegou? Não. Ainda há trechos a percorrer a pé pois o carro não tem permissão do IBAMA para subir os morros maiores que dão acesso as belas piscinas naturais de águas límpidas e frias e extremamente convidativas. É preciso fazer o trecho andando até estas piscinas num sobe e desce contínuo. 

                 Infra-estrutura!? Nenhuma. Tudo é proibido. Pode-se levar de tudo, desde que se tragam de volta, inclusive latas e papéis. A caminhada sobe e desce morro é cansativa, mas reconfortante.   

                O Delta do Parnaíba

                Falaram-me ‘se você conhecer o Delta, você não precisa conhecer os Lençóis’. Meia verdade. Claro que você precisa conhecer os Lençóis, mas depois disso preferiria o Delta, mesmo voltando um dia aos lençóis. Voltaria vários ao Delta. 

                Os lençóis são de uma beleza impar, mas a mim não deixou vontade de um retorno imediato.  Não é daqueles filmes que se vê mais de uma vez. O Delta, ao contrário, é assim. 

                 Formado por várias ilhas em seu leito, com caminhos que cruzam os igarapés somente possíveis se o passeio for via ‘voadoras’ e, mesmo assim, na baixa da maré e que nos leva até o berçário de várias espécies de caranguejo e outros crustáceos além de aves dos mais diversos tipos. Ainda desemboca no mar com uma beleza frontal impar. 

                Produtor de todo o caranguejo que chega ao Ceará, fonte de trabalho da população ribeirinha, também tem em seu leito ilhas com belos balneários ou restaurantes com um cardápio que de tão barato dá vontade de não parar de comer. Caranguejos? Tenha disposição e relaxe. Derivados? Repita o prato quantas vezes desejar, pois o preço é, realmente, convidativo. 

                Não faça o passeio coletivo em catamarãs super lotados. Prefira os de pequeno grupo ou contratados nas ‘voadoras’ disponíveis. Os catamarãs não chegam aos igarapés e tem limitações ao se aproximar do mar. As voadoras, além do mais podem carregar um pouco de ‘adrenalina’ se o piloto estiver disposto a algumas manobras. 

                

Capítulo VI – Poetas 

                Por sorte minha o roteiro incluía a visita a dois grandes poetas populares. Gonzagão e Patativa. Quer dizer mais ou menos sorte. A cidade do Assaré não constava do roteiro, mas por obra da boa vontade de todos, me agraciaram com esta visita. Valeu. 

                Pra falar algo a respeito destes dois, um post é insuficiente. Em seus campos foram não apenas grandes poetas como figuras representativas de suas regiões. Cada um tem sua magnitude e expressão. Gonzagão fez o mundo conhecer o que é o baião e popularizou o tema o folclore e o forró. Seu museu guarda lembranças de um homem forte, brasileiro, regionalista e muito amado por todos de sua cidade natal – Exu. 

                Patativa, da cidade do Assaré, e por isso conhecido como Patativa do Assaré, foi poeta da cultura popular (voltada para o povo marginalizado e oprimido do sertão nordestino). Com uma linguagem simples, porém poética, destacou-se como escritor, compositor, improvisador e poeta. Produziu também literatura de cordel, porém nunca se considerou um cordelista, apesar do acervo existente. Sabia tratar do cotidiano e da sofrida vida do homem nordestino com uma capacidade de expressão que seus versos, por si só, já nos conduz ao Pernambuco do sertão, de vida difícil, mas de extremo amor a terra. 

                O museu de Patativa é menor e mais simples que o do Gonzagão, mas é bem cuidado e conta com guias. Faltou isso ao de Gonzagão que parece estar mais exposto as intempéries e a falta de cuidados.  

                

Poetas Pernambucanos 

                Poetas de cultura popular, poetas que cantam a vida, poetas que cantam o homem 

                Poetas da terra, poetas do chão, poetas da canção de forma simples de jeito fácil 

                Poetas do Brasil, do jeito brasileiro, da vida brasileira, do sertão brasileiro 

                Poetas que marcam minha vida, me encantam e inspiram, bastando relembrar 

                Poetas das formas simples, do jeito fácil no cantar e declamar 

                Guardo em minha alma o amor, a dor, a vida e a obra destes poetas da vida popular. 

  

O retorno – capitulo final

                Depois de toda esta aventura, de ver tantas belezas fica a pergunta valeu à pena? Não, eu diria que não. Não vale se for para fazer da forma como fizemos. Para se ter uma idéia, em barreirinha, cidade que dá acesso aos lençóis já estávamos na estrada antes das quatro horas da tarde. 

                Um belo passeio, mas muito rápido por conta de um trajeto que precisávamos cumprir. Em Parnaíba não foi diferente. Acordava-se, corria-se aos passeios que fazíamos em menos horas até do que o contratado e no meio da tarde estávamos partindo. 

                Uma aventura como esta deve ser feita como se toma sopa. Pelas beiradas e como se faz sexo, sentindo prazer do inicio ao fim. Certo, certo, era preciso mesmo cumprir o trajeto e não perder a chance de tudo conhecer. Tem nada não, um dia volto. Volto com paciência, devagar, com mais tempo e disposição para curtir todas as belezas que me fizeram sentir o quanto é gostoso ser Brasileiro e dono de tantas belezas. Um dia volto e fico para escrever não apenas mais um post, mais um livro inteiro. Estas maravilhas fazem por merecer. 

  

Formas e curvas – Parnaíba e Lençóis 

Guia-me a tuas curvas de forma simples, deixa-me te descobrir. 

Deixa- me sentir a fineza de teus grãos em curva móveis, guia-me até lá 

Guia-me em teus segredos expostos a bela visão, deixa-me ir 

Deixa-me invadir aos poucos tua beleza, me encantar 

  

Na brancura de teus lençóis quero repousar, em tuas águas nadar 

No calor do teu sol quero me bronzear 

Do vigor de teus morros, no alto vibrar, não apenas gritar 

Da lembrança de tuas águas, também quero sonhar. 

 

Águas, ilhas, vida e prazer do saber viver, do amar

Igarapés, surpresas a cada olhar 

Bicho gente como gente bicho, sempre haverá 

Não apenas usam, mas insistem em querer te maltratar. 

  

Sinto tua beleza sendo esmagada pela força do homem 

Sinto tuas matas, almas que choram vendo a vida acabar 

Sinto tuas águas tão cheias de riquezas, cansadas precisando descansar 

Sinto tanta beleza podendo se acabar. 

  

Ah, águas do Parnaíba guarda minhas recordações 

Ah, grandes dunas brancas chama-me de volta 

Ah, imagens do paraíso alimentado pelas águas de monções 

Ah, sons, odores, belezas que me entorpecem, preciso retornar 

  

Guia-me por tuas curvas, preciso a ti chegar 

Deixa-me as lembranças dos afagos do vento e do pé no chão 

Guia-me a teus tesouros, faz-me possuidor, preciso ficar 

Deixa-me inebriado de tantas belezas, preciso de teu amor, de tua paixão. 

 

 

 

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Veja mais fotos em: 

http://www.orkut.com.br/Main#AlbumZoom?gwt=1&uid=2990575299982838374&aid=1264395519&pid=1264395519923

http://www.motoflashbrasil.com.br/

Sobre motos, mortes, vida e jacaré.

jacareAlem 

          Já pressentiu, alguma vez, que algo está para acontecer? Nalgumas vezes nem mesmo o anormal deixa de ser normal!? Será um dia como qualquer outro? No caso deste, não tanto normal.

          Sábado catorze de novembro de 2009 será comemorado o primeiro aniversário do moto clube Guardiões da Amizade em Natal, no Rio Grande do Norte. Nada demais, tantos fazem aniversários e tantos comemoram. Há uma coisa especial, porem, neste sábado. Três personagens irão marcar minha vida, até o fim dela. Prestem atenção na narrativa.

            ……..

          Acordo por volta de cinco horas da manha deste sábado de primavera com sol em torno de vinte e cinco graus, ou mais, nesta bela da manhã da cidade do Natal. Tarefas: calibrar o pneu da moto, preparar mochila e esperar os amigos para uma pequena viagem até Extremos, RN para a comemoração do primeiro aniversário do Clube. Seu presidente é apelidado carinhosamente de Jacaré, uma figura extremamente simpática, mesmo quando rabugento, com seu coque preso a nuca e seu vasto bigode branco, especialmente preparado para a ‘festa’.

          Moto pronta, carcaça preparada recebo uma ligação de Selma, esposa de Jacaré me informando que não iriam, mais, de moto a festa e sim de bugue. Jacaré, em tempo, além de apaixonado motociclista era, também, bugueiro da região da natal metropolitana. Muita gente o conhece, com certeza, sendo motociclista ou não. Era uma figura impar, seja na moto ou no seu bugue. Ah, sim, era também artista plástico meio que acanhado, pois apesar de ter várias telas não demonstrava, ou fazia publicidade, deste seu talento.

jacaselma

          Muito estranho Jacaré não ir de moto, muito estranho, mesmo. Ah, Era apenas uma anormalidade normal. Há dias que tudo amanhece às avessas, normal. Ótimo, vou de carona e aproveitamos para um bom bate papo. Brutus me convida para ir com ele. Não, vou com o casal.

           Papo vem, papo vai, falamos de nossas vidas, nossas famílias, seu falecido pai, seu sogro e de seu crescimento humano e espiritual ao lado de sua Selma. Também de mim, meus bichos e meus problemas. Puxa nunca tinha vista este lado daquele casal. Uma intimidade que nunca julguei ser merecedor de tal. Mas éramos amigos, nada anormal, portanto.

          Festa vai, festa vem, amigos, uma birita aqui, outra ali, um churrasquinho ou um prato de fava do Netinho, dos melhores que já provei. Puxa tudo tão maravilhosamente normal que não havia como pressentir a anormalidade. Não naquele dia, claro que não.

           Meio da festa, discurso do Presidente, resolvo sair logo em seguida. Eu e meu outro amigo Brutus. Nada mais seria normal a partir daquele momento.

          …..

          Perdi uma filha aos 13 anos de idade. Isso para mim é anormal. Outra estava na UTI. Extremamente anormal. Estava há mais de 1000 km de distância do fato, não pude ver minha filha com várias perfurações por conta do acidente brutal. Deus me preservou? Passei mais de um mês tentando salvar a outra. Nenhuma lembrança da morte. Esforço pela vida. Passei um ano e pouco para desabar em prantos. A entrada do cemitério foi o botão de start. Isso é normal.

          Eu mesmo sou meu primeiro personagem. “Reviver emoções”.

          Tudo à minha volta, a partir de então,  foi como um reviver um processo não vivido. Selma, ao me ligar informando da morte do Jacaré me trouxe a anormalidade. Uma noite e um dia de emoções de tão grande intensidade que meus músculos da perna doíam ao extremo. Viver um amigo, em sua vida e morte foi um desafio emocional. Porque eu tinha que viver tudo isso? Porque não formos de moto? Porque tivemos conversas tão íntimas somente naquele dia?  Porque o desgraçado do Jacaré não procurou o médico? O que ele poderia estar pensando acerca de sua vida, ou morte? Por quê? Por quê?

          Eis meu segundo personagem: Jacaré. Jacaré e “coisa e tal”.

          Nunca se pergunte o valor de uma amizade, apenas desfrute dela. Nunca pense em coisas fúnebres, a vida é para ser vivida, apenas viva sua vida. Se você demorar a perceber o valor da amizade, não se preocupe que a morte lhe fará este favor.

          Jacaré, com sua Selma, entraram na minha vida da forma mais simples possível. Assim vivemos nossa amizade. Figura presente em várias tardes de happy hour ou nos diversos churrascos tanto em minha casa quanto em outras localidades como os eventos e as sextas feiras no bar e pizzaria do Jorge. Todas as sextas. Companheiro de viagem cada vez mais freqüente era considerado um excelente motociclista, por todos, sob todos os aspectos. Tinha aquele perfil de liderança como poucos. Gerenciou um moto clube com figuras de várias personalidades, com grupos distintos que ia desde os biriteiros até aos mais ‘caseiros’. Conhecedor consciencioso do perfil de um motociclista e/ ou de um presidente de moto clube, nunca deixou um companheiro com problemas, seja na cidade como na estrada. Tratava seus membros com as igualdades necessárias, seja a turma da V-Strom quando as de pequenas cilindradas.

          A sinceridade em seus discursos compensava sua rabugice, seja para aconselhar, seja para comandar, seja para responder. Figura, extremante respeitada tanto entre os motociclistas quanto entre os bugueiros tinha uma vida secreta de todos, não de sua amada de mais de 30 anos. Era um ótimo cozinheiro e um ótimo artista plástico. Lógico que sabendo tanto de Jacaré teria que me considerar uma amigo íntimo, mas eu não conseguia perceber isto, até então. A morte foi necessária? Aquele passeio matinal foi necessário? Foi uma lição ou foi uma despedida?

          A perda de minha filha foi doida, mas não sofri o momento. Deus me preservou. A morte de Jacaré é doída, não apenas por mim, mas é especialmente sofrida, por ter vivido todos os seus últimos momentos. Todos.

Perdi um amigo íntimo, um amigo simples, um amigo sincero, um amigo irmão

Perdi um companheiro firme, um companheiro amigo, um irmão companheiro

Perdi um irmão de estrada, daqueles que não se larga, daquele que não nos larga

Perdi um motociclista amigo, perdi um amigo motociclista

Perdemos uma referência, perdemos nossa consciência do que é referencia

Perdemos a palavra sincera da mão que ajuda e da ação generosa por qualquer razão

Perdemos um pouco do prazer da estrada da saída à chegada

Perdemos um pouco de nos mesmo e nunca mais teremos de volta.

          Mas ainda temos uma referencia, eu ainda tenho uma. Jacaré não foi apenas bondoso em me ofertar seu carinho e seu amor. Foi bondoso em me ofertar a amizade de sua esposa. E nela que quero ver meu amigo. É nela que me apoio para superar a dor.  E ela que vai carregar, para o resto de sua vida, meu carinho pelo galego, bigodudo e rabugento amigo Jacaré.

          …….

          Vivi estes momentos, mas não sei a intensidade de minha dor. Sou um espiritualista que insiste em não se dedicar ao espiritismo. Jacaré e sua esposa eram vívidos. Temos nossa forma de enfrentar estes momentos, somos preparados para tais momentos. Nem todos são por isso não posso medir minha dor, mesmo sendo ela tão intensa. Muitos sofreram , sofrem e sentirão a perda de nosso amigo Jacaré. Brutus é um destes. Este é meu terceiro personagem.

          Da mesma forma que comigo, precisava a morte vir mostrar o grau, a intensidade de uma amizade. O mesmo ocorreu com nosso amigo Brutus. Companheiro leal esteve junto por toda a noite na resolução dos problemas relativos ao sepultamento. Ao não suportar mais as dores musculares e a intensidade das emoções procurei descansar em casa. Brutus permaneceu ao lado, acompanhando, ajudando e apoiando nossa querida Selma. Domingo, do nascer do sol ao carregar a urna fúnebre até a despedida final, lá estava ele ao lado de seu grande amigo Jacaré. Não há palavras para escrever a generosidade de Brutus. Jacaré é ciente.

nostres

          Sobre motos, morte, vida e Jacaré são tudo isso. Vivemos maravilhosamente bem, montados em nossas máquinas, possantes sou não, mas, extremante, perigosas. Temos ciência disso. É vida, precisamos disso para viver. Nenhum motociclista irá pensar na morte, seja repentina, violenta ou silenciosa. Com certeza meu amigo via sua vida assim. Com certeza vemos nossas vidas assim. Vida e morte se separam por linhas tênues. Vivendo sempre no limite da vida e da morte, do amor e da dor. Mesmo assim, para nós, tudo isso é normal. Tudo por ficar repentinamente anormal, entretanto. A vida não será mais a mesma. As vezes nem mais será vida.

          Há poucos dias atrás já havíamos perdido outro grande motociclista, Ely Obelix.

          Tranqüiliza que a caminhada do Jacaré em direção ao Pai seja recepcionada por nosso amigo Ely. Um dia, meu irmão, estaremos juntos.

           Tranqüiliza saber que serei por vocês dois recepcionados. Por enquanto vamos viver a normalidade das nossas vida. Até que um novo sábado aconteça.

O ser motociclista.

motociclista

            O que caracteriza  um motociclista? O que o define como tal?

          Não é raro encontrar textos com a descrição  de algumas características de um motociclista. Não é difícil encontrar criticas sobre comportamentos de motociclistas. Quem nos caracteriza ou critica ou tenta nos definir são motociclistas. Então não somos todos motociclistas? Mas quem é, então,  este ser motociclista? Quais as suas principais características? O que é, mesmo,  ser um motociclista?

                 Primeiro me pergunto se basta ter uma motocicleta de grande porte para me tornar um motociclista? Então apenas motos de grande portes fazem um motociclista? Um motoqueiro pode ser, também, um motociclista? Somente com uma moto posso ser considerado um motociclista? Ou será que é ter o “sangue sujo de óleo”? Seria o bastante para me fazer um motociclista? O que seria ter o “sangue sujo de óleo”?

                 O conceito de motociclista é segundo o Wikipédia, a modalidade esportiva que envolve o uso de motos  de diversas formas competitivas como moto velocidade, motocros e outras. Motociclista é o indivíduo que possui ou faz uso de moto para razões não profissionais. Pronto, lá se foi a questão da cilindrada. Posso ter uma motoneta, desde que não seja para uso comercial!

               Para Cícero Paes, um dos expoentes do motociclismo de turismo no Brasil,  (www.ciceropaes.com.br) o termo motociclista, genericamente, se enquadra a todos que andam de moto. É mais ou menos a definição do wikipedia!

                Motociclista deveria ser um indivíduo apaixonado por moto. Claro eu crio uma identidade. Eu e minha moto. Isso me corporifica. Entretanto se uso e não sou tão apaixonado deixo de ser um motociclista? Não porque preciso de um espelho. Alquem que possa certificar meu estado. É o papel do grupo. Sou motociclista por estar num grupo, numa tribo, é o grupo que me define, é o grupo que empresta características que me fazem  motociclista. É o grupo que me aceita e me permite usar suas características, sendo ou não um apaixonado. Isso importa? É aceitável?

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                Não importa a cilindrada de minha moto. Será que importa se tenho moto? Não, se for uma situação momentânea. Garupeiros e garupeiras também são motociclistas. Se sou aceito pelo grupo sou motociclista. O grupo  determina as regras, os costumes, e todo um arsenal de formas e feições.

                 O que parece existir são grupos de motociclistas dos mais variados. Claro que em comum temos características básicas, mas o motociclista de um grupo pode não ser completamente igual a outro de outro grupo. Vejamos então:

  1. Motociclista solitário – é aceito pelos grupos como tal, mas evita se unir a grupos específicos;
  2. Motociclista de clube – Une-se a outros com objetivos comuns e geralmente sociais entre os participantes;
  3. Amantes de moto velocidade – Geralmente tem motos possantes, de competição. Não gostam de se unir a clubes, mas estão sempre juntos nos eventos ou passeios;
  4. Motoqueiros – Tem a moto para o lazer e para o trabalho, geralmente de baixa cilindrada. São aceitos quando esta moto é usadas para o lazer, mas geralmente carregam consigo a conotação pejorativa de “motoqueiros” quando usam esta moto para o trabalho;
  5. Coxinhas – Usam a moto apenas nos finais de semana. Geralmente transportam as motos em reboques para grandes distâncias. Costuma aparecer nos eventos em suas motos e, por isso, são aceitos;

            Um grupo tem suas próprias características e suas próprias regras. O que pode ser aceito num grupo pode ser condenado noutro. O que um defende pode ser contestado por outro.  Internamente podem ocorrer, inclusive, contestação dentro do próprio grupo por ter em seus quadros motociclistas com características mais aceitáveis num e  noutro não. Conflitos são próprios de grupos.

            Um clube é uma entidade com objetivos sociais, seja em beneficio de seus componentes ou que extrapolem a eles. Um clube de motociclista deveria, então, ser composto apenas de motociclistas? Parece que não, pois o que vemos é que há grupos que aceitam pessoas que não carregam em si as características do ‘ser motociclista’ ou as perdem em sua vida clubística e mesmo assim continuam aceitos. Nestes casos o clube deixa ser moto clube ou clube de motociclistas? Sua legislação permanece, mas basta ver como seus elementos interagem para perceber esta mudança.

         clubes que aceitam componentes em seus quadros de pessoas que querem apenas usar suas vestimentas e que internalizam suas vontades, tornando-se fortes o suficiente para se manter nos quadros. Não extrapolam ou externalizam seus comportamentos, pois podem correr o risco da rejeição pela tribo. O grupo os aceitas, a tribo não. Decerto temos algo maior a tribo, um conjunto de pessoas, grupos, formas, feições e normas que nos caracteriza. O que pode ser aceito no grupo pode não ser aceito pela tribo.

         Muitos dos motos clubes gostam se auto definir estradeiros. Até o nome nos induz a isto quando na verdade sua concepção e seus objetivos nunca foram de ser estradeiros. Porque? Porque ser estradeiro me faz um motociclista. Estar num moto clube estradeiro me transfere a característica grupal, mesmo que eu nunca tenha andado mais que os dez quilômetros domingueiros que costumo fazer.

         Regras? Estão são mais difusas que as pessoas. O que é aceito num grupo é condenável noutro, vejamos os exemplos do motoqueiros. Quando usam a moto para o lazer, travestem-se do ser motociclista. Entretanto quando usam a moto para a profissão podem vir a praticar os mesmo atos que condenam quando travestidos de motociclistas. Claro que, infelizmente, a profissão  de motoboy ou motoqueiro carrega preconceitos, consequência da forma como pilotam suas motos.

         Os amantes da moto velocidade costumam cortas as estradas em velocidades acima dos duzentos quilômetros por hora, o que é condenável para amante das motos custom. Estes por sua vez criticam os motociclistas de moto de menor cilindradas.

motociclistas

         Fica, portanto, difícil definir o ser motociclista  por meio de características alusivas a um determinado grupo. Somos todos motociclistas: de custom, de competição, de trail, de CG, de touring e até de tricilo. Viram, até o momento eu não havia feito nennhuma moção ao triciclo. São eles motociclistas?

         Talvez a melhor tentativa ser se conceituar um motociclista seja o complemento do descrito por Cicero Paes. “o verdadeiro Motociclista vê sua moto como se fosse uma mulher, pela qual se apaixonou um dia. Nada o impede de se apaixonar várias vezes, até que um dia ele descobre que sua paixão não é “aquela moto”, é andar de moto.

Encontros motociclísticos. Onde desejamos chegar?

onde--vamos 

               Neste penúltimo final de semana do mês de outubro de 2009 foi realizada mais uma versão, a 4ª, do Campina Grande Moto Fest, encontro de motociclistas em Campina Grande na Paraíba. Encontro de motociclistas? Deveria ser um encontro de motociclistas, mas poderíamos falar em um evento para motociclistas. Melhor ainda se fosse um evento cujo tema é o motociclismo. Ok, um evento.

                Este é um dentre vários que ocorrem toda semana no Brasil e, também fora dele, claro. Aproveitando, então, o ensejo poderíamos nos questionar sobre tal tema: onde desejamos chegar?

               Conjuntamente ao evento foi realizado a IV convenção Nacional Brasil Rider’s. Melhor momento, portanto, não haveria para um questionamento deste tipo. Onde desejamos chegar com estes eventos? Estes eventos são feitos para congregar amantes do motociclismo. Uma oportunidade de nos reunirmos, trocar idéias falar sobre motos, claro tomar um chopinho e relaxar. É uma reunião de motociclistas, ou não é?

doisum

               Primeiro poderíamos entender nossa sopa de letrinhas. Sopa de letrinhas? Sim, poderíamos afirmar isso. Senão, vejamos: faça a seguinte pergunta a quatro motociclistas, “onde você esteve neste final de semana? Possíveis respostas:

  1. Estive num encontro de motociclistas;
  2. Estive num evento de motociclistas;
  3. Estive numa reunião de motociclistas;
  4.  Estive numa festa de motociclistas.

               Percebemos que já não temos um senso comum, cada um de nós, motociclistas têm uma percepção diferente acerca do que fazemos ou onde estamos quando reunidos. Podemos, então, estar num encontro de motociclistas, local onde revejo amigos com uma mesma paixão, a motocicleta.

               Poderia, também, estar num evento de motociclistas, uma festa produzida por alguém cujo objetivo seria o de congregar pessoas com uma mesma paixão, a motocicleta. Não necessariamente! Um evento por ser uma festa, uma feira, uma exposição. Claro o tema será a motocicleta, mas percebam que ela não é restrita a uma tribo. Ela trata da tribo, mas não o torna exclusivo.

               Se estiver indo a uma reunião, possivelmente estarei indo me comprometer com algo ou fortalecer algo. Sendo uma reunião de pessoas que compartilham uma paixão, a moto, estarei indo me comprometer ou fortalecer esta paixão. Foi, talvez, o objetivo maior da convenção nacional Brasil Rider’s.

               Finalmente, se estarei indo a uma festa, estarei presente em algo não muito comprometido, algo passageiro, feito unicamente para diversão. Então porque temos percepções tão diferentes?

                Pergunte a um motociclista o que é ser motociclista. Você terá uma gama enorme de diferentes conceitos. Alguns até misturam o conceito próprio do que é ser motociclista com o de motociclismo de clube (veja blog a respeito). Pois bem, se tenho conceitos diferentes sobre o que é ser motociclista, claro que teria sobre o que é uma reunião de motociclistas.

               O slogan “feito por motociclista para motociclistas” parece não ser mais o ideal. Nem sempre é feito por motociclista, nem sempre é feito, apenas, para o motociclista. Pode não ser mais o motivo real pelo qual fazemos estas reuniões. Pode não ser. Claro que há casos e casos e graus de comprometimento dos mais variados. Algumas reuniões visam tão somente o motociclista outros  já se transformaram em grandes  eventos, processo natural do crescimento. Vejamos alguns casos.

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               Na terceira semana do mês de outubro de 2009 foi realizado o evento na cidade de Assu, no Rio Grande do Norte, o 5º Vale do Assu Moto Fest. Pequeno, sem nenhum expositor, porém aconchegante. A congregação, o que se espera de uma reunião de motociclistas, foi maior no churrasco grátis, pois é neste momento em que só se tem motociclistas presentes, o que não acontece à noite já que há uma participação maior dos moradores da cidade. Alguns eventos da região Nordeste oferecem algum tipo de promoção grátis, como um almoço ou uma feijoada, ou um churrasco (outras regiões também oferecem, mas vejo o nordeste em maior peso com este tipo de promoção). Este é o que se pode chamar de “momento de congraçamento entre motociclistas”, pois é o único momento em que apenas motociclistas se reúnem se fortalecem e/ou se comprometem. É a família “motociclista” presente.

               casos, porém, que o próprio evento se torna, realmente, uma reunião de congraçamento. Acontece durante todo o evento, não apenas no almoço, ou a noite. Geralmente nos eventos menores, ou naqueles que mesmo grande oferecem algum tipo de “momento de reunião” ou “momento de reflexão”. O de Assu (RN) bem como o de Toritama (PE) me parece bons exemplos de eventos que permite este tipo de congraçamento.

               Então a falta de promoções do tipo churrasco grátis é um fator negativo ao congraçamento? Não se poderia afirmar com certeza, porém ajuda, é o que parece. O que se pôde perceber, no evento de Campina Grande, foi que houve uma certa dispersão em relação ao principal local do encontro, da “reunião”  para várias partes da cidade com grupos se juntando e se reunindo nos bares, restaurantes, praça e no açude. Claro ainda assim, são grupos de motociclistas se reunindo, só que são grupos específicos, regionalizados. Podem ser de componentes de um ou mais de um moto clube, de amigos de várias regiões, com um objetivo difuso. É um processo normal, também, mas acontece pela falta de alternativas à “reunião geral”, como aconteceria se houvesse uma promoção do tipo churrasco grátis, feijoada, seminário, convenção, etc.

          É comum alguem me falar que o que mais vale nestes eventos é a viagem, o trajeto, porque quase todos os eventos são iguais. É a viagem porque é na viagem que você está com seus pares, a “reunião” acontece, na estrada, nas paradas. Na maior parte dos eventos  Falta esta “reunião”, o motivo pelo qual nos deslocamos quilômetros e quilômetros. A noite é impossível. À noite a congregação é maior, com a cidade. Os expositores estão muito envolvidos em seus negócios. A noite é destinada a “festa”, não a “reunião”. Claro que não poderia ser diferente já que muitos de nós temos nossos negócios centrados no tema e o trabalho vem antes do prazer, claro.

               Os eventos não estão sendo mais feitos para motociclistas? Claro que sim. Claro que também. Claro que também não. Pena que alguns já não são feitos por motociclistas. Nestes últimos, não espere congregação, não espere a “reunião”. Seu objetivo único é o lucro. O que fazer então?

               Alguns parecem tender a se desgastar e deixar de existir. O evento de Natal, no Rio Grande do Norte teve este destino. Promovido com objetivos estritamente comerciais, inclusive cobrando a entrada, até dos próprios motociclistas. Feito com pouquíssima participação de motociclistas vinha sendo boicotado nos últimos anos até se tornar inviável e deixar de existir. Neste ano de 2009, outra tentativa foi feita por um empresário de eventos e, também, se tornou inviável. Natal não é mais um caso isolado, já há indícios de que outros clubes estejam “vendendo” o evento a empresas promotoras. Estamos cada vez mais longe do slogan “de motociclista para motociclista” Aonde chegaremos, então?

                No Prado e Itacaré, ambos na Bahia já são eventos promovidos por uma revista especializada em motociclismo. De motociclista para motociclista? Não saberia afirmar, não tive o prazer de estar presente a nenhum deles bem como a outros nas diversas regiões do Brasil, promovidos ou não por motociclistas. Alguns continuam apenas com a “festa”, noutros há também a “reunião”. Como se vê você pode tanto ir a um evento como a uma reunião, pena que em ambos usa-se o motociclismo como chamariz. Nada contra, qualquer um pode promover um evento e pode usar qualquer motivo. Nós, motociclistas gostamos de estar em festa  para motociclística. Seria um erro acreditar nisso?

               O que parece ser uma alternativa é os aniversários dos motos clubes. Estes vêm se tornando tão grande como os eventos, alguns até passam de um dia como foi o ultimo dos Kavaleiros de Aço (http://kavaleirosdeaco.com.br/novo/), em Petrolina/PE, ou então, de um dos que mais gosto, dos Sombreros (http://www.sombreros.com.br/) ou dos Solteiros (http://www.solteirosmc.com.br/), ambos na região de São Paulo. Pequeno ou grande o que vemos nos aniversários é que o congraçamento, a reunião, a reflexão existe já que a presença é maciça de motociclistas e não há tanto o envolvimento da população local. Parece ser esta uma tendência, a “reunião” nos aniversários, que a “festa” nos moto festivais ou eventos de motociclismo. Será possível convivermos com os dois?

               Não se pode desconsiderar que são finais de semana inteiros de dedicação. Você precisa se deslocar da sua cidade para algumas até com setecentos a novecentos quilômetros de distância, quando não muito mais que isto. Há custo, e cada vez mais altos, com alimentação e alojamento. Nalgumas cidades esta questão já é critica devido ao abuso praticado pela rede hoteleira (grata surpresa em Campina Grande). Estar presente nos eventos e estar presente no aniversário são custos dobrados. Por enquanto o abuso ocorre quando dos eventos, mas nada garante que possam ocorrer nos aniversários. Os Motos Clubes precisam se envolver mais com a questão. Lógico que não cabe a eles estabelecer preços, mas cabe sim a responsabilidade e o comprometimento. Precisam negociar melhor com “a cidade” as condições para a realização dos eventos. Nos aniversários o problema é menor, mais até quando neste ritmo de crescimento?

               Para onde vamos, então, no próximo final de semana? A um evento, a uma festa, a um encontro, a uma reunião ou a um aniversário? No meu caso há eventos que não falto, pois estes eu considero um oportunidade de me reunir a minha tribo. Pequenos como os de Assu/RN, Cruzeta/RN ou maiores como o de Santa Cruz e Currais Novos; Caruaru dos Águias do Agreste é obrigatório. Outros como Paulo Afonso, Campina Grande do Rota 230, Martins e João Pessoa, Recife, Maceió, tem, ainda, a própria cidade como atrativos. Gosto de ir a todos. Aniversários? Não tenho tido tempo ou oportunidade para ir a todos, pois parecem ser a redenção. Tenho ido apenas a alguns no meu estado de residência.

               Para onde vamos então? Qual seu destino? O que você procura? Talvez você esteja interessado no evento. Alguns, como eu, gostam da “reunião”. De qualquer forma viva o motociclismo, qualquer que seja sua concepção de um evento motociclismo.

 

               Ely1

               Relutei um pouco quanto a escrever algo sobre o Ely. Já não era o tempo certo. Sequer pude ir até o Recife para um ultimo adeus. Sequer pude sentir o clima, provavelmente carregado de tristeza em seu funeral. Sequer pude fotografar o bonde de motociclistas que penso ter havido. Então, não havia motivação nem motivos para escrever. Tenho muitos amigos neste circulo, muitos mesmo. Os melhores são como o Ely foi. Sim, muito parecidos, pois somos de gerações próximas e amamos o que fazemos semana a semana. Já não somos tão jovens; já não temos tanto vigor nem tanta saúde; abusamos demais dos prazeres da vida bebendo, fumando, correndo de um lado para o outro, brigando com idiotas que cruzam nossas rodovias em tentativas alucinadas de nos fazer deixar de existir.

               Não quero blogar um a um antes que minha própria partida seja motivos de um blog por parte de algum. Já havia escrito um texto quando da morte de outro amigo, o Japa do MC B17 há alguns anos atrás. Relutei, então em escrever sobre o Ely, não consegui.

               Conheci Ely há poucos anos atrás, na época já com todos os problemas de saúde que vieram a provocar sua morte. Excesso de peso, excesso de cigarro quase cego, mas também com excesso de carinho. Foi fundamental para aproximar-me de tão grande figura. Não éramos muitos próximos, até porque morávamos em estados diferentes, mas isso era tão relativo. Atualmente morando em Natal, no Rio Grande do Norte, tenho bons amigos em todos os estados do Brasil o que deixa a questão da proximidade relativa. Por força de compartilhar uma mesma paixão era sempre possível encontrar Ely em eventos tanto no RN quando em PE.

               A última vez que o vi foi no evento de Toritama. O abraço trocado sempre foi carregado de saudade, de carinho e também do prazer de estarmos mais uma vez perto um do outro. Trocamos poucas palavras, sempre girando num mesmo tema: as motos, os amigos, a cirurgia de redução, a quase cegueira. Claro saboreando uma dose de cachaça prá não deixar as palavras ‘muito secas’.

               É preocupante conviver problemas de saúde, sejam as minhas seja a de meus amigos. Já não sou um garoto e tenho que me sacrificar para ter, ao menos qualidade de vida, já que o tempo da morte, este não se tira. Não gostava de saber dos problemas de saúde do Ely, alegrava-me a boa recuperação da questão da obesidade, mas não via com bons olhos sua perspectiva em perder a visão. Nem tentava fazer-lhe parar com o cigarro. Ha coisas na vida que é melhor pelo prazer, mesmo que abrevie a vida.

               Somos motociclistas por pura paixão. Pra continuar a sermos, precisamos de braços, mãos, pernas e visão. Não gostaria de perder qualquer destas condições ou ter problemas com a coluna, por exemplo, como já venho tendo. Pensar na possibilidade de não mais poder pilotar uma moto ou ao menos um triciclo ou então não estar com os amigos num evento de motociclistas, soa a mim como uma condenação a morte. Acredito que o mesmo acontecia ao Ely, por isso a necessidade se recorrer a cirurgia, com certeza uma condenação mortal. Talvez sua ausência nos faça refletir as condições de saúde, área de pouco trato que damos as nossas vidas, mas se fosse diferente valeria à pena?

               Jamais poderia ver ao Ely magro, não fumante, não estressado, sem o cargo que tinha na federação, por demais estressantes; sem ser a figura tão conhecida por tantos de nós. Não o Ely tinha que ser como era: gordo, fumante, apreciador de uma boa cachaça, vice-presidente estressado de uma federação em seus dias de crescimento. Também lhe era reservado, por todos nós, o papel de sábio, de ícone, de paternalidade e agora de mito.

                Não havia um evento sem que houvesse uma romaria até sua figura, não vi um evento sem que todos a ele recorressem seja para, apenas um abraço fraterno, seja para ganho de experiência, seja para um papo descompromissado seja para uma fotografia, seja para sentir sua vibração. Fosse apenas para lhe tocar, como se apenas um toque bastasse para retirar-lhe um pouco de tudo ou mesmo para lhe doar um pouco de tudo. Sempre havia uma romaria em busca de seu conforto. Figura com muitos e muitos anos de convivência neste nosso circo de eventos, cidade por cidade, Ely nos ofertava com sua adoração pela tribo e vontade incessante de unir a todos na Associação de Motociclistas de Pernambuco. Assim, posso afirmar que boa parte de mim tem algo de Ely, boa parte de todos nós tem algo de Ely, boa parte do que somos da vida que vivemos e desejamos viver tem algo do Ely, boa parte do que faremos e viveremos tem algo do Ely.

               Não quero endeusar a ninguém, somos todos mortais com defeitos e virtudes. Claro em vida nossos defeitos superam as virtudes, é normal. Claro que após as mortes só nos resta lembrar as virtudes. Ely como a todos nós tinha suas virtudes e seus defeitos. Não quero nem vou relatar defeitos, não me cabe. Espero que a ninguém caiba. Passou o tempo. Não quero, também, fazer exaltações gratuitas e vazias, mas quero criar o mito. Aliás, não que eu queira criar, o mito existe por si só. O Ely já o tinha criado. Não quero que a lembrança se perpetue, cabe a cada um de nós a guardarmos pelo tempo julgarmos necessário, enquanto boa for. Não quero placas nem nomes em ruas, basta apenas à consciência de ter visto no amigo as virtudes que o fizeram companheiro, sábio e lutador. Não vou plastificar adesivos, não me cabe tamanha homenagem, basta-me a lembrança, dos papos, da cachaça, do abraço fraterno, do conselho. A visão obélica do Ely, o Ely Obelix.

 Ely;

Vá meu amigo, siga a luz, não olhe atrás, Deus te aguarda
Enquanto estiver indo, procures deixar em cada curva, desta pista divina, uma lembrança
Antes de chegares pensa em nós, vamos te procurar pelas lembranças marcadas
Ao chegares ao divino, reza e peças por nós, ainda somos mortais
Nós, órfãos aqui no plano de baixo seguiremos nosso caminho, agora sozinhos
Perdoa se faltar homenagens ou recordações, as homenagens findam, sempre te recordaremos
Perdoa a nós nos momentos de dor, por tua partida, ela foi tão repentina que ainda choramos
Cuida de nós em cada curva que fizermos em cada evento que estarmos
Vá meu amigo, siga a luz, transforma-te nela, ela será nosso guia em nossas vidas
Vá meu amigo, há tantos que te esperam
Amigos perdidos em curvas e quedas mortais
Vidas cheias de esperanças convocadas por deus a lhe preceder
Juntas formarão, a teu comando um novo clube uma nova festa
E a cada um de nós que formos ao teu encontro teremos nossa vaga, pronta
Nossos caminhos já marcados, pelas lembranças, serão mais fáceis de percorrer
Que teu trabalho terreno se prolongue no infinito, precisamos de tua força, cá e lá
Todos os irmãos que partiram estarão ao teu lado, exaltos em alegria finalmente chegas até eles
Vá meu amigo, outros tantos te seguirão, precisa liderar esta tribo
Vá meu amigo, siga a luz, não olhes para traz.
Deus te aguarda. Há tantos que te esperam.
Do alto guarda-nos com teus abraços fortes e amor fraternal
Perdoa-nos ainda somos mortais
Se as lembranças findarem, não se engane estarão apenas adormecidas
Se as homenagens acabarem o carinho jamais
Quando um de nós se for, receba-nos de braços abertos
Acompanha-nos na escuridão até que a luz de tua presença se faça
Ajuda-nos a continuarmos nosso caminho, nosso destino, nossas vidas
Vá meu amigo, siga a luz, não olhe atrás.
Deus te aguarda ao lado de tantos outros que te esperam
Vá meu amigo.
Vá com Deus.

ABRAÇANDO O ELEFANTE

circunda 

Segunda tentativa, o enforcamento

           Prosseguindo com a série de post’s da série “motos e congêneres”, em que pretendo abordar os eventos moto ciclísticos dos quais participo no nordeste brasileiro, agora é a vez de descrever a experiência e o prazer de ter participado da II Circunviagem no Rio Grande do Norte, mas conhecido como ‘Abraçando o Elefante’. É a segunda experiência, neste tipo de evento no nordeste já que tenho conhecimentos apenas dos estados da Bahia, este já tradicional e de Santa Catarina. (por favor, me escrevam caso haja mais que estes).  É também a segunda experiência no estado do RN e a primeira da qual participo. A coisa parece querer pegar. Estou torcendo.

           Com um aumento de quase 100% no número de motos, de motociclistas, de garupas e de diversão a nova versão enfrentou novos problemas, novos desafios e novos prazeres. Imaginem um bonde com 80 motocicletas dos mais variados tipos bem como grupos dos mais variados gostos atravessando o estado com pouco mais de 1300 km rodados em três dias. Desafio descomunal, mas por conta da logística que da distância a percorrer e que está sendo conquistado paulatinamente, pouco a pouco, a cada ano. Ainda não foi neste ano.

          Idealizado, primordialmente pelo motociclista residente em Natal, conhecido por ‘Coronel Valdenor’; Valdenor Félix presidente do moto clube gangaceiros do asfalto, um militar reformado com seus mais de 70 anos de vida e não tantos menos de motociclista. Uma figura de encantos mil, de farto bom humor, de carisma e capacidade de organização e de liderança. A idéia, ainda a ser perseguida em sua totalidade é a de atravessar o estado do Rio Grande do Norte margeando, sempre que possível, seus limites geográficos. Eis o desafio.

valdenor

           O Estado do Rio Grande do Norte, talvez um dos últimos brasileiros a ter investimentos pesados para acelerar o processo de desenvolvimento, não é grande exemplo de corredor asfáltico e/ou turístico com  infra-estrutura apropriada a visitas as suas belezas naturais. No caso deste evento, suas rodovias nem sempre estão próximas dos limites geográficos, o que era desejado e, quando estão, sofrem com as adversidades naturais seja como a invasão da areia na rodovia na região de Mossoró, seja como nos buracos, em boa parte do trajeto, em vista do descaso governamental, especialmente quanto aos corredores turísticos.

           A idéia, extraordinária, nem sempre supera as adversidade dos buracos nas rodovias o que impede o cumprimento do cronograma e, conseqüentemente, a alteração do trajeto e que terminou sendo considerado pela maioria dos motociclistas não mais como ‘abraçando o elefante’, mas como ‘enforcando o elefante’. Vamos chegar lá, com certeza. A cada ano que passa os desafios são maiores, mas a vontade é superior mesmo que nosso grande líder se demonstre cansado e desmotivado para novo empreendimento. Ano que vem voltaremos.

O Bonde:

bonde

          Já imaginaram colocar mais de 70 motos para abastecimento de uma única vez? E que tal mais de 120 pessoas em uma churrascaria de beira de BR? E mais, o dono do posto e o da churrascaria desconhecia a quantidade de pessoas a atender. Como fazer? Primeiro, vejamos que a idéia inicial de dividir o bonde em dois não surtiu efeito esperado. Esta divisão deveria propiciar ao menos o abastecimento melhor, com menos pessoa ao mesmo tempo. A divisão não foi igualitária e logo na primeira parada já tínhamos voltado a apenas um bloco.  No primeiro abastecimento já estávamos todos juntos provocando uma confusão enorme nas bombas do posto de gasolina. Um bonde com mais de 10 motos já é grande, imaginem com 30 ou 40? E 80?!

           Uma solução poderia ser a divisão por afinidades, como ocorreu no final do trajeto com o pessoal das 125 ou dos triker’s ou o pessoal da organização que passaram a se agrupar, cada um considerando suas afinidades e necessidades. O que naturalmente se fez poderia ser usado nas próximas experiências como padrão liberando grupos por afinidades como o grupo dos ‘biriteiros’, das 125, das trail’s, das customs, dos solteiros e largados, das esportivas e da organização.  Claro que deveria haver uma junção entre estes grupos e daí poder se ia pensar em lideres de grupos que servissem como elo entre os lideres e os grupos menores evitando os erros de trajeto e o acumulo das motos nas bombas entre abastecimento e/ou nos pedidos de refeições. Ao menos nestes momentos.

          O trajeto nas cidades também poderia ser melhorado com o uso de batedores. Batedores são motociclistas que ‘fecham’ as vias de acesso para que o bonde passe como um todo. Como os batedores da Policia Rodoviária Federal. Este tipo de motociclista é bastante usado no sul e sudeste do Brasil, mas não muito no nordeste. Mesmo assim, alguns motociclistas perceberam a necessidade de segurar o transito nas vias urbanas e agiram como se fossem batedores. Parabéns. Novamente a necessidade indicou a solução. Esta também poderia ser uma idéia para padrão. Então teríamos o bonde dividido em grupos com lideres de grupo, um ‘ligador’ entre os grupos e o uso de batedores nos entroncamentos com ocorrência excessiva de transito urbano. É uma solução que ajuda na mobilidade, na comunicação e no entrosamento.

           Segurança. Talvez o maior apelo por uma divisão em moldes parecidos com os aqui descritos seja a favor da segurança. Determinar regras precisas e, exigir dos componentes o seu cumprimento seja para punir ou premiar é primordial para a segurança. Porque punir? São três dias de convivência em que você precisa confiar na pessoa ao seu lado, ele precisa agir pensando não somente na sua como também na minha segurança. Não se pode permitir a presença de pessoas que não tenham este tipo de comprometimento. Graças a deus não houve.  Não podemos esquecer, também, que o tempo de reação de uma moto 125 para uma de 1000cc é totalmente diferente. O mesmo vale para uma trail em relação a uma custom ou para uma pessoa em relação à outra.

           A sinalização, outro fator, é extremamente importante e, foi perceptível quando atravessamos alguns quilômetros com animais na pista. A sinalização indicadora da presença destes animais, mas, ainda, a tentativa de afastar estes animais da estrada seja pelo barulho das motos ou buzinas ou pela presença física de uma pessoa evita acidentes como o ocorrido com um de nossos companheiros.

Destaques:

varias

            Claro, já destaquei a figura de nosso organizador, Coronel Valdenor com sua presença de espírito e senso de organização além do bom humor, mas algumas outras figuras merecem destaque. Destacam se a o sentido de liderança e de ponteiro do ‘Presidente Morcegão’; o sentido de ‘assistente’ dos motociclistas João Melão e Guga, o sentido de grupo do motociclista ‘Olixo’, a ajuda na montagem do material da mídia do motociclista Rarley, a turma das 125, os guardiões e a ala feminina.

marcio

 Morcegão:

           Márcio Antunes, mais conhecido como ‘Morcegão’ é o presidente do MC B17, meu primeiro moto clube e diga se de passagem pilotar nas estradas e liderar bonde é com ele. Estar com ele na ponta é estar sendo bem guiado.  Conhecedor como poucos das estradas do RN, motociclista de longas datas nos mais diversos tipos de motos, líder de um dos mais expressivos motos clubes do Rio Grande do Norte, Morcegão liderou com todos os méritos possíveis o comboio de seu inicio ao fim. Capaz de levar sua moto com uma regularidade incrível Morcegão cravou o velocímetro nos 100 km e assim permaneceu.  Pena que a diferenças de cilindradas e de tipos de pilotagem não permitiram uma coesão maior do bonde fazendo com que, às vezes a distância entre os blocos chegasse perto de uma hora de distância e de alguns quilômetros. Muitas vezes os buracos e estilo de pilotagem de cada um contribuíram para este distanciamento. O pior de tudo foi à perda excessiva de tempo de espera. Faltou o mirante de Patu, o açude Itans, faltou Apodi, faltou a balsa entre outras paisagens por conta do tempo perdido para o reagrupamento dos blocos.

olixo

Olixo:

            Um carinha bonachão, meio arredio surpreendeu pelo sentido de agrupamento e de auxilio ao bonde. Acredite, seu moto clube tem o nome de ‘Lixo’. Pode? Sempre que se precisou ele esteve no apoio à sinalização e a segurança grupal, ao menos no primeiro bloco. Chegou a comboiar um carro de passeio que ficou meio que preso ao bonde momento em que orientou os motociclistas a abrir a lateral esquerda da pista e liberar tal indecisa motorista. Surpreendeu pelo companheirismo e atenção e por esta peculiaridade.

guga 

Parnamirim MC:

            Gutemberg, mais conhecido como Guga é o presidente do Moto clube Parnamirim da cidade de Parnamirim no Rio Grande do Norte. Neste mesmo moto clube temos o João Melão e o Macarrão, também presentes no comboio. Obrigados a fecharem o bonde já que um trabalhou como socorrista, e que se fez presente nos dois acidentes de maior susto; e o outro como motorista do carro de apoio foi de real importância no resgate de nossa amiga Geane e no seu pronto encaminhamento ao Pronto Socorro de Caicó e, também, e no socorro de algumas motocicletas por quebra e/ou furos de pneu. Não se preocupe, o acidente rendeu apenas um braço enfaixado com pequena luxação.

rarley Rarley:

            Rarley é apenas um fotógrafo motociclista dono de uma intruder de, apenas 125cc. Claro que pode parecer apenas isso já que ele estava mais que a trabalho que diversão por conta de ser dono do site motoflashbrasil, que cobre os eventos da região da grande Natal, e para isso participou no intuito de também trabalhar. Entretanto, por conta da necessidade terminou se transformando em operador de câmera. Ate ai nada demais, entretanto não mais de duas ou três vezes teve que fazer tomadas do comboio cortando as estradas e, por conta disto ser o ultimo do bonde, ainda tinha a obrigação de novamente passar a frente para nova tomada ou para exercer sua profissão.  Simples, certo? Tente fazer isso numa moto de 125cc num bonde com motos de cilindradas bem maiores.

grupos

            Inevitável que grupos se formem num bonde tão grande. Inevitável que grupos sejam tão distintos num bonde tão grande. Inevitável que alguns se divirtam mais que outros. Assim foi a turma dos guardiões, a turma da diversão. Na verdade a turma era formada por motociclistas de outros Motos clubes, mas como a maioria era dos Guardiões da Amizade, vale a este à designação. Logo se tipificaram por estarem sempre juntos e sempre saboreando alguma coisa, seja liquida ou solida. Também se tipificaram por não terem percebido que o bonde tomou um caminho do anteriormente planejado e terem que voltar atrás numa tentativa de perseguição ao bonde que não teve resultado durante o dia. Enfim foram ao ponto de encontro noturno.

mulheres

            Numa viagem deste porte tudo dói. No terceiro dia das palmas da mão ao tornozelo tudo dói especialmente às partes em contato com os bancos. Natural que as mulheres venham a sentir mais o cansado. Certo? Errado. A começar pela Presidente do Moto clube mototribo Potiguar; Graça, esta a única não garupa, mas super habituada a este tipo de desafio, com certificado Iron Butt. Não se ouviu nenhum murmurinho de nenhum tipo por parte da ala feminina. Sempre presente no tira e coloca jaqueta, balaclava, capacete às vezes num calor de mais de 30 graus. Parabéns as mulheres. Com certeza outras desejarão participar.

As rodovias:

            O Brasil é um pais de belezas infindáveis. O nordeste também. Nada mais que natural em se enaltecer as belezas nordestinas e as do estado do Rio Grande do Norte. Do marco da BR 101 em Touros, passando pelas salinas de Macau, poços petrolíferos da região de Mossoró, sertão e seus mirantes de apelo religioso, tudo é bonito deste que você não olhe para baixo. Olhando perceberá a vergonha que são nossas estradas. Como se pode cumprir qualquer tipo de cronograma em tais condições? Talvez num rally seja possível. Claro, havia boas rodovias quando não novas, ao menos recuperadas, mas o padrão era mesmo de buracos e mais buracos. Claro, minha Kamila já tá tão habituada a isto que não sente falta das rodovias do sudeste brasileiro, sua terra de emplacamento e de primeiros desafios. Claro também que somos cientes do desafio que seria transitar em tais condições. Claro que o cronograma não foi cumprido o que fez com que alguns membros do grupo passagem a chamar a volta de não mais ‘abraçando o elefante’ e mais de ‘enforcando o elefante’. Claro que o desafio ficou para o ano que vem onde esperamos as rodovias em melhores condições e, claro que é uma decepção ver uma região tão linda sendo jogada ao relento pela irresponsabilidade de nossos governantes. Como se não pagássemos tantos impostos assim.

O futuro:

            A pergunta que fica é: haverá futuro? O projeto é lindo a idéia sensacional que pode ser firmar no calendário de eventos do Rio Grande do Norte. O que se viu, na verdade, foi um ar de cansaço por parte de quem organizou o evento e não poderia ser diferente. A logística para mobilizar 80 motos, cinco carros mais de 120 pessoas para atender a todos no abastecimento, na estadia, na alimentação e nos problemas normais não é fácil. Talvez fosse o caso de se profissionalizar um pouco de tudo. Isso leva tempo e o auxilio maior que é o monetário ainda não existe. Precisamos persistir. É preciso trazer a mídia para trabalhar como cúmplice, é preciso trazer mais os motos clubes visitantes na organização da logística, é preciso ter patrocínios, inclusive estatal já que o evento é feito em homenagem ao aniversário do estado e o faz no sentido de mostrar as belezas naturais do estado. Na verdade vendemos o estado, mais ainda não temos compradores. Entretanto, desistir nunca. Com certeza voltaremos em 2010.

 

Vejam mais fotos em:

http://public.fotki.com/enoque

http://mototoflashbrasi.com.br

http://nossapaudosferrosrn.blogspot.com/

http://irmaosdoasfalto.blogspot.com/

Vejam o clip em http://www.youtube.com/watch?v=ulH96ZGG1oc

As imagens aqui mostradas são de meu acervo pessoal e dos sites: http://nossapaudosferrosrn.blogspot.com/ e http://mototoflashbrasi.com.br aos quais vão os devidos créditos.

Os originais das fotos podem ser fornecidos mediante contato para enoquepaulino@hotmail.com.

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Um evento             

                No último final de semana estive presente a um evento de motociclismo. Um dos muitos que freqüento, pois é um de meus hobbies preferidos e o único que me cura o estresse. O 8º Mossoró Moto Fest. Claro o evento é mais um destes muitos e muitos outros que acontecem por todo o Brasil. Nada muito diferente ou nada tão igual. Porque, então, participar de um evento assim tão repetitivo? A viagem, os amigos, o prazer de pertencer a uma tribo que respira motor e motociclismo.

Mossoró

                Mossoró, segunda cidade do estado do Rio Grande do Norte fica a 270 quilômetros de distância da capital. Cidade próxima a uma das regiões salineiras do estado tem nos royalties pagos pela extração petróleo sua maior fonte de renda. A região de Mossoró e municípios próximos concentram a maior bacia petrolífera em solo do Brasil. Diferente, porém, do petróleo extraído do Mar o petróleo da região tem um alto custo de extração e muitas vezes se utiliza da injeção de água nos poços para que o óleo, preso nas fendas de rochas possam ser recuperados. O passo seguinte é a separação da água do óleo e seu refino.

blogCarcara

                Três coisas me fazem cruzar as estradas do Brasil em eventos moto ciclístico: a viagem; as pessoas e o bom e velho Rock & Roll.

A viagem

                Na viagem, vale o prazer da motocada por cem duzentos quinhentos ou quem sabe alguns milhares de quilômetros. Não importa se é um dia ensolarado com o vento fresco a bater contra o peito ou, talvez, o céu enegrecido e promessas de queda d’água por horas e horas. Não importam os buracos, às vezes verdadeiras panelas; herança maldita de nossos dês-governos que sugam quase a metade da receita nacional em impostos injustos e mal aplicados. Não importam, também, as leis meio que malucas impostas a nos, motociclistas, como por exemplo os altos impostos cobrados por nosso objeto do prazer – a motocicleta e seus acessórios ou como a Lei Seca que, embora necessária e bem intencionada nos inibe a um dos maiores prazeres que é o do bate papo em um buteco na beira da estrada ou, ainda, (arg..)  os malditos refletores nos capacetes. Não importa as dores na coluna ou o cóccix incomodando ou quem sabe aquela maldita abelha que se intromete por dentro da jaqueta provocando erupções de toda ordem e ardência que dura por horas e horas. Não importa nem o amigo do lado numa motocicleta de menor cilindrada que provoca maior cansaço pela baixa velocidade durante o trajeto nem tampouco outro numa super moto que roda a duzentos e cinqüenta e tantos de velocidade e nos cruza com um barulho ensurdecedor. Valem tudo pelo prazer de passar o dia em cima de uma moto curtindo a natureza e as belas paisagens, naturais e humanas. Retas tentadoras de se dobrar o punho, ou curvas desejosas de raspar a pedaleira riscando o asfalto. A viagem é um prazer à parte.

A música

                Gosto de vários ritmos musicais, mas gosto mesmo é de um musica que tenha conteúdo. Melhor se tiver som e bela musica de bom gosto com um mínimo de ordem. Adoro o Blues e o Jazz. Adoro a sonoridade e o balanço destes dois ritmos e são meus preferidos, mas gosto, também, de um bom samba, um pouco do ritmo nordestino, do pop nacional e internacional. Agora, o bom mesmo é o velho rock and roll já que posso ter um pouco de todos os ritmos juntos. Um solo do BB king é tão maravilhoso quanto do Slash.

                Melhor de tudo isso ainda é estar ao lado de quem gosta do mesmo ritmo; a mesma tribo. Melhor ainda se for alguém com DNA (data de nascimento antiga).  Não que os compositores e ritmistas contemporâneos sejam piores ou melhores que os antigos, mas na verdade as baladas da década de sessenta a oitenta são inesquecíveis. Tanto que até hoje sobrevivem. As velhas bandas já com seus jurássicos componentes ainda persistem no cenário musical mundial, haja ver as recentes apresentações, no Brasil, dos Scorpions, Iron Maiden, MotorHead, citando apenas estes exemplos. As músicas ‘comerciais’ e ‘descartáveis’ tomaram conta da programação das rádios e das praças. Nas lojas fica cada vez mais difícil folhear um catálogo com bons Rocks ou um swing gostoso de um Blues. Todo o espaço é dedicado as letras fáceis de refrões repetitivos e insossos do balanço das bundinhas sejam no axé ou no funk ou, ainda, do pagode mela cuecas ou das batidas eletrônicas e letras que só lembram os beberrões e cabarés no new forro nordestino. Então para curtir boas horas de Rock com super companhias um dos melhores caminhos é a participação nos eventos de motociclistas, refúgio seguro do Rock & Roll. Claro que alguns, por força de contrato ou por conta da política já incluem ritmos outros, mas a estes a gente deixa nosso perdão. A sexta é somente nossa, no sábado fazemos ouvido de mercador.

Amigos

                Amigos, amigos e figuras extraordinárias quando não bastante exóticas, eis a população dos eventos moto ciclísticos. Alguns buscam se tipificar copiando os velhos modelos americanos de grossos colares de ferro, pulseiras em couro, ornamentos do mais variados, outros mais naturalmente vestidos fazem sua marca. Alguns deles valem registros. Claro, as figuras são muitas e os amigos mais ainda. Um post é pouco para falar de muitos deles como  deveria falar, mas de quatro deles gostaria de descrever um pouco de suas personalidades suas excentricidades e qualidades. 

              Cabo Lao

                Meu amigo Cabo Lau é uma figura pequena de corpo, mas com um coração enorme. Cabelos grandes em um rosto barbudo costumam deixar a mostra sua barriga conservada a bastante chopp e alguns litros de cachaça. Montado em sua velha Shadow VT600, a Morena, Cabo Lao ou Pai Lao participa de quase todos os eventos da região de Pernambuco, Paraíba, Natal, Recife e Bahia. Morador da cidade de Toritama, em Pernambuco patrocina o Toritama Moto Fest, evento que quase sempre lhe rende um bando de credores pelo resto do ano. ‘É o amor pelos amigos e o prazer da companhia de todos’, finaliza Cabo Lau quando conversamos sobre a produção de seu evento motociclístico. Dono de uma condição fraterna já foi capaz de retirar o cabo do acelerador de sua moto e a colocou na minha em viagem de volta a Paulo Afonso já que minha moto quebrou o cabo. Dono de um carisma encanta a todos por onde passa e para todos tem tempo para um bom papo.

caboLao

               Miranda 

               Miranda, com seus aproximadamente 1,90 metros e uma pança que dever beirar medidas parecidas e outra figura de destaque. Integrante dos Abutre’s; Moto clube com mais de dez anos de existência e algumas centenas de facções espalhadas pelo Brasil, este pernambucano esbanja bom humor e boa conversa esteja onde estiver. Dono de uma marca de roupas de couro, e acessórios dos mais variados; a Jack Búfalo, Miranda pode ser encontrado sempre a frente de sua barraca rodeado por amigos. Expositor e presidente da associação de expositores da região nordestina. Incansável companheira de vida e de trabalho sua esposa, mais conhecida como ‘baixinha’ estão sempre dispostos a um bom negócio.

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                Gorette

                Gorette é uma mulher destemida e amiga. Chateada pelos pequenos problemas de saúde que a tem impedido de fazer o que mais gosta é uma estradeira nata. Sempre disposta a receber bem; tem sua base em Paulo Afonso e por lá encontra os amigos que cruzam a estrada seja subindo seja descendo o Brasil. Companheira de Moto Clube, os Dragões Templários, adora sua CB 450 que costuma pilotar em companhia de amigos nos eventos próximos a sua região.

                Esses são figurinhas de capa. Há outros. Claro que falo da minha área de visitas contumaz que engloba os estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Eventualmente desço até a região Sul, mas especificamente para o interior Paulista. Lá eu tenho meu terceiro personagem, mas neste caso a excentricidade dá lugar ao Carisma, o bom humor e o lado fraterno e líder do meu amigo Crauduxo.

                 Seo Craudio

                Claudio, um motociclista de estatura mediana, de uma careca famosa por seus pares é o presidente dos Sombreros, uma mistura de moto clube com moto grupo que às vezes mais parece um grupo familiar, apenas, de aficionados por motocicleta, Rock & Roll e, logicamente cervejas. Amigo desde que estive na região em treinamentos foi uma das razões que me fez rodar sete mil quilômetros, mais ou menos, para participar do aniversário de meu moto clube – Sombreros – e, digamos que valeu cada quilômetro. Líder de um grupo de gente do tipo ‘sangue bom’ congrega alegria, companheirismo, e camaradagem. Um porto sempre que percorro a região do interior de São Paulo.

seocraudioblog

                Claro, são três em mais de trezentos ou até mais de amigos, cada um com uma excentricidade qualquer, como a ‘marcar’ um personagem na tribo. O casal de cowboys do Cowboys do Asfalto de Recife que trocam o capacete pelos chapéus assim que chegam aos eventos e somente os retiram na viagem de retorno; Estalone, um amigão de quase dois metros de altura acima e nas laterais, o Vaqueiro dos Cabras da Peste, Vovô Alexandre e do ‘Carioca’, dos Clã Destino; pernambucano natural do Rio de Janeiro e Maia, diretor da regional, nordestina do Abutre’s MC e proprietário da revista Eletrônica moto clubes, nosso ponto de encontro das resenhas e imagens dos eventos. Nos lados do RN e bem próximo de mim, Jacaré dos Guardiões da Amizade, amigo de estradas, nalgumas vezes com sua esposa Selma um casal nota dez mil, Brutus uma figura que emplacou seu nome, no meio com seu aspecto físico avantajado em altura e largura, mas com um coração enorme e uma excelente opção de companhia de vigem. A este grupo dos ‘grandes’ motociclistas posso, ainda,  incluir Titão com alturas e pesos não muito diferentes das de Brutus, Estalone e Miranda, ma também com um coração impar como todos os anteriores. Ainda na minha área uma figura que brilha é o Jean, moreno magro e baixo com sua intruder de 250 cc e guidão alto e retorcido. Morcegão presidente de meu primeiro Moto Clube, o B-17 de Parnamirim/RN. Graça a primeira mulher a ter o certificado do Iron butt no estado do Rio Grande do Norte e presidente do Motoribo Potiguar. Ufa, viram que a lista é imensa. Impossível ser de listada apenas num post.

O evento

                O evento foi sensacional na sexta a noite que tem sido o dia mais propício para o encontro dos grupos motociclístico. Neste dia a conversa e as biritas, regadas ao ritmo do Rock & Roll costumam ir até o inicio da manha do sábado. No sábado um churrasco 0800, que tem sido marca dos eventos do Nordeste, excetuando Bahia, já que nos eventos da linha de baixo da cintura do Brasil não tem por tradição oferecer churrascos ou feijoadas 0800, como acontece na linha de cima. O churrasco tem sido marca registrada do moto clube Carcarás do Asfalto, muito possivelmente o melhor da região servidor na sede e clube que tem uma estrutura muito boa para a cngregar um grande número de pessoas. Comida farta, som gostoso, cerveja gelada, costumam prolongar o churrasco até o inicio da noite.

                 Lobos do Asfalto

                A noite do sábado, um show sensacional dos Lobos do Asfalto de Fortaleza – Ceará que atraiu praticamente todo o publico presente graças a desempenho de seu Singer Band, figura de uma energia e capacidade de entretenimento fenomenal. A curiosidade ficou por conta do final do show da Banda que parecia marcar o fim da festa, claro que não era. De repente mais da metade do público começou a deixar a area do evento, inclusive motociclistas. Parecia final de festa, mas ainda eram vinte e três horas, apenas.

lobosblog

                No sábado, a participação da cidade é muito maior fazendo com que o evento tenha um publico mais heterogêneo, afinal de contas o evento não é apenas para motociclistas, a participação popular também é desejada. Além do mais Mossoró é uma cidade com bastante opção de bares e restaurantes. O publico que prefere ou preferiu outras atrações após o show da banda Lobos do Asfalto deixou o evento com uma cara de final de festa com o relógio restando ainda mais de duas horas de show de nova banda.

                Domingo, dia de retorno nos foi brindado com um céu azul celeste e um sol bastante quente apesar dos ventos que costuma soprar na região nesta época do ano, forte e lateral.

                Bom, final de semana perfeito, baterias carregadas e saudade já me convidando para visitar o amigo Baiano na festa em Santa Cruz. Vejo a todos por lá.

 Amigos:

São Paulo: Seo Craudio;Parmito, Mugão e Mugona, Meira e Telma,Castrado,Vidal Gold e OMárcia (que é do sexo masculino) Klein e Beth, Fabião, Sérgio ‘Coelho’; DT – Sombrero Ramone Loco; Marcelo Darri

Santa Catarina:Iraíde e Edegar dos Lords

Petrolina:Uilton e Leo Kavalero dos Kavaleiros do Asfalto

Caruaru: Soares e Paulino do Aguias do Agreste

Bezerros:Pedro Faria do Bezerros Moto Clube

Rio Grande do Norte:Lenon, atualmente em Angola, Alvaro do rota 230, Tarcisão de Caicó/RN do Liberdade no Asfalto; Luiz Galvão o famoso ‘Rei Zulú’ e vovô Áureo dos Falcões; Augusto e Dorian do Mototribo Potiguar, Parea, Sergão e Igor dos Guardiões da Amizade, Ratão  e Roboson tríades de dragões no RN (Dragões do Asfalto, Black Dragon e Dragões Templários); Guga de Mossoró; Eduardo de Assu/RN; Baiano de Santa Cruz/RN dos Amigos do Asfalto; Pereira e o casal Jean e Rossana dos Reis Magos MC em Extremoz/RN, Ivanildo em Ceará Mirim/RN; Kaio, Leley, Moacyr e Hipólito dos Gargalheiras Moto Clube; Junior e Marcão do Cactus Moto Clube e Bodes do Asfalto

Moto Clube B-17:Jorge Koch; Mandela; Jeronimo; Adriano Caveira; Pit Bull; Ceará; Titão; Morcegão; Melo e Cida; Heraldo ‘Imbecil’; Brutus; Titão e Marilene;Fabinho; O ‘modelo’ Castelo Branco; Tavares e ‘Amor de Bebo’

Paulo Afonso:Fernanda, Silva, Josi das Charmosas do Asfalto; Vanesa e Rosa das Morenas do Asfalto e Lindomar e Zerado casal nota dez mil que sempre me recebem com bastante carinho. Um abraço especial.

Abutre’s MC: Maia; Miranda e Bruxo;

Imagens:

As imagens aqui expostas foram extraida de meu acervo pessoal e dos sites: www.revistamotoclubes.com.br; www.cavalodoido.com.br;  aos quais vão os devidos créditos