O ser motociclista.

O que caracteriza um motociclista? O que o define como tal?
Não é raro encontrar textos com a descrição de algumas características de um motociclista. Não é difícil encontrar criticas sobre comportamentos de motociclistas. Quem nos caracteriza ou critica ou tenta nos definir são motociclistas. Então não somos todos motociclistas? Mas quem é, então, este ser motociclista? Quais as suas principais características? O que é, mesmo, ser um motociclista?
Primeiro me pergunto se basta ter uma motocicleta de grande porte para me tornar um motociclista? Então apenas motos de grande portes fazem um motociclista? Um motoqueiro pode ser, também, um motociclista? Somente com uma moto posso ser considerado um motociclista? Ou será que é ter o “sangue sujo de óleo”? Seria o bastante para me fazer um motociclista? O que seria ter o “sangue sujo de óleo”?
O conceito de motociclista é segundo o Wikipédia, a modalidade esportiva que envolve o uso de motos de diversas formas competitivas como moto velocidade, motocros e outras. Motociclista é o indivíduo que possui ou faz uso de moto para razões não profissionais. Pronto, lá se foi a questão da cilindrada. Posso ter uma motoneta, desde que não seja para uso comercial!
Para Cícero Paes, um dos expoentes do motociclismo de turismo no Brasil, (www.ciceropaes.com.br) o termo motociclista, genericamente, se enquadra a todos que andam de moto. É mais ou menos a definição do wikipedia!
Motociclista deveria ser um indivíduo apaixonado por moto. Claro eu crio uma identidade. Eu e minha moto. Isso me corporifica. Entretanto se uso e não sou tão apaixonado deixo de ser um motociclista? Não porque preciso de um espelho. Alquem que possa certificar meu estado. É o papel do grupo. Sou motociclista por estar num grupo, numa tribo, é o grupo que me define, é o grupo que empresta características que me fazem motociclista. É o grupo que me aceita e me permite usar suas características, sendo ou não um apaixonado. Isso importa? É aceitável?

Não importa a cilindrada de minha moto. Será que importa se tenho moto? Não, se for uma situação momentânea. Garupeiros e garupeiras também são motociclistas. Se sou aceito pelo grupo sou motociclista. O grupo determina as regras, os costumes, e todo um arsenal de formas e feições.
O que parece existir são grupos de motociclistas dos mais variados. Claro que em comum temos características básicas, mas o motociclista de um grupo pode não ser completamente igual a outro de outro grupo. Vejamos então:
- Motociclista solitário – é aceito pelos grupos como tal, mas evita se unir a grupos específicos;
- Motociclista de clube – Une-se a outros com objetivos comuns e geralmente sociais entre os participantes;
- Amantes de moto velocidade – Geralmente tem motos possantes, de competição. Não gostam de se unir a clubes, mas estão sempre juntos nos eventos ou passeios;
- Motoqueiros – Tem a moto para o lazer e para o trabalho, geralmente de baixa cilindrada. São aceitos quando esta moto é usadas para o lazer, mas geralmente carregam consigo a conotação pejorativa de “motoqueiros” quando usam esta moto para o trabalho;
- Coxinhas – Usam a moto apenas nos finais de semana. Geralmente transportam as motos em reboques para grandes distâncias. Costuma aparecer nos eventos em suas motos e, por isso, são aceitos;
Um grupo tem suas próprias características e suas próprias regras. O que pode ser aceito num grupo pode ser condenado noutro. O que um defende pode ser contestado por outro. Internamente podem ocorrer, inclusive, contestação dentro do próprio grupo por ter em seus quadros motociclistas com características mais aceitáveis num e noutro não. Conflitos são próprios de grupos.
Um clube é uma entidade com objetivos sociais, seja em beneficio de seus componentes ou que extrapolem a eles. Um clube de motociclista deveria, então, ser composto apenas de motociclistas? Parece que não, pois o que vemos é que há grupos que aceitam pessoas que não carregam em si as características do ‘ser motociclista’ ou as perdem em sua vida clubística e mesmo assim continuam aceitos. Nestes casos o clube deixa ser moto clube ou clube de motociclistas? Sua legislação permanece, mas basta ver como seus elementos interagem para perceber esta mudança.
Há clubes que aceitam componentes em seus quadros de pessoas que querem apenas usar suas vestimentas e que internalizam suas vontades, tornando-se fortes o suficiente para se manter nos quadros. Não extrapolam ou externalizam seus comportamentos, pois podem correr o risco da rejeição pela tribo. O grupo os aceitas, a tribo não. Decerto temos algo maior a tribo, um conjunto de pessoas, grupos, formas, feições e normas que nos caracteriza. O que pode ser aceito no grupo pode não ser aceito pela tribo.
Muitos dos motos clubes gostam se auto definir estradeiros. Até o nome nos induz a isto quando na verdade sua concepção e seus objetivos nunca foram de ser estradeiros. Porque? Porque ser estradeiro me faz um motociclista. Estar num moto clube estradeiro me transfere a característica grupal, mesmo que eu nunca tenha andado mais que os dez quilômetros domingueiros que costumo fazer.
Regras? Estão são mais difusas que as pessoas. O que é aceito num grupo é condenável noutro, vejamos os exemplos do motoqueiros. Quando usam a moto para o lazer, travestem-se do ser motociclista. Entretanto quando usam a moto para a profissão podem vir a praticar os mesmo atos que condenam quando travestidos de motociclistas. Claro que, infelizmente, a profissão de motoboy ou motoqueiro carrega preconceitos, consequência da forma como pilotam suas motos.
Os amantes da moto velocidade costumam cortas as estradas em velocidades acima dos duzentos quilômetros por hora, o que é condenável para amante das motos custom. Estes por sua vez criticam os motociclistas de moto de menor cilindradas.

Fica, portanto, difícil definir o ser motociclista por meio de características alusivas a um determinado grupo. Somos todos motociclistas: de custom, de competição, de trail, de CG, de touring e até de tricilo. Viram, até o momento eu não havia feito nennhuma moção ao triciclo. São eles motociclistas?
Talvez a melhor tentativa ser se conceituar um motociclista seja o complemento do descrito por Cicero Paes. “o verdadeiro Motociclista vê sua moto como se fosse uma mulher, pela qual se apaixonou um dia. Nada o impede de se apaixonar várias vezes, até que um dia ele descobre que sua paixão não é “aquela moto”, é andar de moto.
02/11/2009 at 21:02
Parabens amigo Poeta, realmente você se expressou de uma forma excelente, ao mesmo tempo com certeza expressando o pensamento de muitos motociclistas, como eu. No meu pensamento, acho que uma das coisas que mais chama nossa atenção como motociclista, realmente é a estrada, logicamente viajando em grupo ou não, mas também sabendo que irá encontrar alguns amigos para nesse momento fazer o que gostamos, conversar sobre moto, motociclismo, como também tomar uma para aliviar o stress. Enfim buscamos a nossa saída do comum, do cotidiano, procurar um pouco de aventura e adrenalina para recarregar as baterias. São tantos encontros, eventos, reuniões ou seja lá o nome que cada um der, que em dado momento já nem queremos mais ir para um ou outro lugar. Eu particularmente depois de mais de 500 eventos nestes últimos oito anos, estou escolhendo aqueles que sei que encontrei o maior número de irmãos, como também aqueles que as cidades tem lugares que nos oferece um pouco de aventura, descobrir as coisas belas. Por fim, como você diz, cada um tem um pensamento a respeito, mas creio que o mais comum realmente é ir para lugares onde possamos rever os amigos, fazer novas amizades, falar muito de moto e logicamente confraternizar geral. Não vou para eventos profissionais, não podemos deixar alguém usar o motociclismo como meio de vida, principalmente aplicando em cima de nós mesmos. Parabens, grande abraço, nos encontramos por aí…
16/11/2009 at 23:43
É Enoque,
A vida nos leva por caminhos que as vezes é difícil compreender, ou as vezes, simplesmente tentar entender. Mas uma coisa é certa para todos nós, um dia Ele nos chama para o seu lado e não há nada que possamos fazer para mudar o rumo. Quando chega a hora, o negócio é sorrir e abraçar o Todo Poderoso Criador agradecendo pela oportunidade que nos deu enquanto estamos por aqui.
Pelo pouco que convivi com o Jacaré pude perceber que se tratava de uma pessoa da mais alta sabedoria e muito companheiro. Eu, o Pedrinho, o Conrado e a Angela tivemos a oportunidade de passar um dia maravilhoso com ele nesse paraíso que é Natal. Pode ter certeza que lá em cima o Jacaré estará dando aulas para que todos os bugueiros que já estão por lá, consigam fazer um passeio com emoção e muito radical pelas dunas das nuvens.
Fique com o meu mais sincero e caloroso abraço.
MazzoAbrax
17/11/2009 at 11:36
SUA NARRATIVA NOS FAZ REFLETIR MT SOBRE A VIDA.
CADA VEZ MAIS PROCURO VIVER DA MELHOR COM O Q TENHO.
E UMA AMIZADE HONESTA, FALE TD.
PS: VC FAZ COMEU A MINAH FAVA???
26/02/2010 at 2:23
Muito bom o texto….
27/03/2011 at 21:05
Adorei!! Parabens pela argumentação sobre o MOTOCICLISTA.UMA FORMA MUITO DIRETA DE EXPRESSAR COMO É O MOTOCICLISTA EM SI.
30/11/2011 at 17:39
Amei suas palavras e tomei a libertade de colocala na pagina do meu Moto Clube, se quizer visitar um prazer. Itaipuaçu Moto Clube no face, bjs da Godoy.