ABRAÇANDO O ELEFANTE
Segunda tentativa, o enforcamento
Prosseguindo com a série de post’s da série “motos e congêneres”, em que pretendo abordar os eventos moto ciclísticos dos quais participo no nordeste brasileiro, agora é a vez de descrever a experiência e o prazer de ter participado da II Circunviagem no Rio Grande do Norte, mas conhecido como ‘Abraçando o Elefante’. É a segunda experiência, neste tipo de evento no nordeste já que tenho conhecimentos apenas dos estados da Bahia, este já tradicional e de Santa Catarina. (por favor, me escrevam caso haja mais que estes). É também a segunda experiência no estado do RN e a primeira da qual participo. A coisa parece querer pegar. Estou torcendo.
Com um aumento de quase 100% no número de motos, de motociclistas, de garupas e de diversão a nova versão enfrentou novos problemas, novos desafios e novos prazeres. Imaginem um bonde com 80 motocicletas dos mais variados tipos bem como grupos dos mais variados gostos atravessando o estado com pouco mais de 1300 km rodados em três dias. Desafio descomunal, mas por conta da logística que da distância a percorrer e que está sendo conquistado paulatinamente, pouco a pouco, a cada ano. Ainda não foi neste ano.
Idealizado, primordialmente pelo motociclista residente em Natal, conhecido por ‘Coronel Valdenor’; Valdenor Félix presidente do moto clube gangaceiros do asfalto, um militar reformado com seus mais de 70 anos de vida e não tantos menos de motociclista. Uma figura de encantos mil, de farto bom humor, de carisma e capacidade de organização e de liderança. A idéia, ainda a ser perseguida em sua totalidade é a de atravessar o estado do Rio Grande do Norte margeando, sempre que possível, seus limites geográficos. Eis o desafio.

O Estado do Rio Grande do Norte, talvez um dos últimos brasileiros a ter investimentos pesados para acelerar o processo de desenvolvimento, não é grande exemplo de corredor asfáltico e/ou turístico com infra-estrutura apropriada a visitas as suas belezas naturais. No caso deste evento, suas rodovias nem sempre estão próximas dos limites geográficos, o que era desejado e, quando estão, sofrem com as adversidades naturais seja como a invasão da areia na rodovia na região de Mossoró, seja como nos buracos, em boa parte do trajeto, em vista do descaso governamental, especialmente quanto aos corredores turísticos.
A idéia, extraordinária, nem sempre supera as adversidade dos buracos nas rodovias o que impede o cumprimento do cronograma e, conseqüentemente, a alteração do trajeto e que terminou sendo considerado pela maioria dos motociclistas não mais como ‘abraçando o elefante’, mas como ‘enforcando o elefante’. Vamos chegar lá, com certeza. A cada ano que passa os desafios são maiores, mas a vontade é superior mesmo que nosso grande líder se demonstre cansado e desmotivado para novo empreendimento. Ano que vem voltaremos.
O Bonde:

Já imaginaram colocar mais de 70 motos para abastecimento de uma única vez? E que tal mais de 120 pessoas em uma churrascaria de beira de BR? E mais, o dono do posto e o da churrascaria desconhecia a quantidade de pessoas a atender. Como fazer? Primeiro, vejamos que a idéia inicial de dividir o bonde em dois não surtiu efeito esperado. Esta divisão deveria propiciar ao menos o abastecimento melhor, com menos pessoa ao mesmo tempo. A divisão não foi igualitária e logo na primeira parada já tínhamos voltado a apenas um bloco. No primeiro abastecimento já estávamos todos juntos provocando uma confusão enorme nas bombas do posto de gasolina. Um bonde com mais de 10 motos já é grande, imaginem com 30 ou 40? E 80?!
Uma solução poderia ser a divisão por afinidades, como ocorreu no final do trajeto com o pessoal das 125 ou dos triker’s ou o pessoal da organização que passaram a se agrupar, cada um considerando suas afinidades e necessidades. O que naturalmente se fez poderia ser usado nas próximas experiências como padrão liberando grupos por afinidades como o grupo dos ‘biriteiros’, das 125, das trail’s, das customs, dos solteiros e largados, das esportivas e da organização. Claro que deveria haver uma junção entre estes grupos e daí poder se ia pensar em lideres de grupos que servissem como elo entre os lideres e os grupos menores evitando os erros de trajeto e o acumulo das motos nas bombas entre abastecimento e/ou nos pedidos de refeições. Ao menos nestes momentos.
O trajeto nas cidades também poderia ser melhorado com o uso de batedores. Batedores são motociclistas que ‘fecham’ as vias de acesso para que o bonde passe como um todo. Como os batedores da Policia Rodoviária Federal. Este tipo de motociclista é bastante usado no sul e sudeste do Brasil, mas não muito no nordeste. Mesmo assim, alguns motociclistas perceberam a necessidade de segurar o transito nas vias urbanas e agiram como se fossem batedores. Parabéns. Novamente a necessidade indicou a solução. Esta também poderia ser uma idéia para padrão. Então teríamos o bonde dividido em grupos com lideres de grupo, um ‘ligador’ entre os grupos e o uso de batedores nos entroncamentos com ocorrência excessiva de transito urbano. É uma solução que ajuda na mobilidade, na comunicação e no entrosamento.
Segurança. Talvez o maior apelo por uma divisão em moldes parecidos com os aqui descritos seja a favor da segurança. Determinar regras precisas e, exigir dos componentes o seu cumprimento seja para punir ou premiar é primordial para a segurança. Porque punir? São três dias de convivência em que você precisa confiar na pessoa ao seu lado, ele precisa agir pensando não somente na sua como também na minha segurança. Não se pode permitir a presença de pessoas que não tenham este tipo de comprometimento. Graças a deus não houve. Não podemos esquecer, também, que o tempo de reação de uma moto 125 para uma de 1000cc é totalmente diferente. O mesmo vale para uma trail em relação a uma custom ou para uma pessoa em relação à outra.
A sinalização, outro fator, é extremamente importante e, foi perceptível quando atravessamos alguns quilômetros com animais na pista. A sinalização indicadora da presença destes animais, mas, ainda, a tentativa de afastar estes animais da estrada seja pelo barulho das motos ou buzinas ou pela presença física de uma pessoa evita acidentes como o ocorrido com um de nossos companheiros.
Destaques:

Claro, já destaquei a figura de nosso organizador, Coronel Valdenor com sua presença de espírito e senso de organização além do bom humor, mas algumas outras figuras merecem destaque. Destacam se a o sentido de liderança e de ponteiro do ‘Presidente Morcegão’; o sentido de ‘assistente’ dos motociclistas João Melão e Guga, o sentido de grupo do motociclista ‘Olixo’, a ajuda na montagem do material da mídia do motociclista Rarley, a turma das 125, os guardiões e a ala feminina.

Morcegão:
Márcio Antunes, mais conhecido como ‘Morcegão’ é o presidente do MC B17, meu primeiro moto clube e diga se de passagem pilotar nas estradas e liderar bonde é com ele. Estar com ele na ponta é estar sendo bem guiado. Conhecedor como poucos das estradas do RN, motociclista de longas datas nos mais diversos tipos de motos, líder de um dos mais expressivos motos clubes do Rio Grande do Norte, Morcegão liderou com todos os méritos possíveis o comboio de seu inicio ao fim. Capaz de levar sua moto com uma regularidade incrível Morcegão cravou o velocímetro nos 100 km e assim permaneceu. Pena que a diferenças de cilindradas e de tipos de pilotagem não permitiram uma coesão maior do bonde fazendo com que, às vezes a distância entre os blocos chegasse perto de uma hora de distância e de alguns quilômetros. Muitas vezes os buracos e estilo de pilotagem de cada um contribuíram para este distanciamento. O pior de tudo foi à perda excessiva de tempo de espera. Faltou o mirante de Patu, o açude Itans, faltou Apodi, faltou a balsa entre outras paisagens por conta do tempo perdido para o reagrupamento dos blocos.

Olixo:
Um carinha bonachão, meio arredio surpreendeu pelo sentido de agrupamento e de auxilio ao bonde. Acredite, seu moto clube tem o nome de ‘Lixo’. Pode? Sempre que se precisou ele esteve no apoio à sinalização e a segurança grupal, ao menos no primeiro bloco. Chegou a comboiar um carro de passeio que ficou meio que preso ao bonde momento em que orientou os motociclistas a abrir a lateral esquerda da pista e liberar tal indecisa motorista. Surpreendeu pelo companheirismo e atenção e por esta peculiaridade.
Parnamirim MC:
Gutemberg, mais conhecido como Guga é o presidente do Moto clube Parnamirim da cidade de Parnamirim no Rio Grande do Norte. Neste mesmo moto clube temos o João Melão e o Macarrão, também presentes no comboio. Obrigados a fecharem o bonde já que um trabalhou como socorrista, e que se fez presente nos dois acidentes de maior susto; e o outro como motorista do carro de apoio foi de real importância no resgate de nossa amiga Geane e no seu pronto encaminhamento ao Pronto Socorro de Caicó e, também, e no socorro de algumas motocicletas por quebra e/ou furos de pneu. Não se preocupe, o acidente rendeu apenas um braço enfaixado com pequena luxação.
Rarley:
Rarley é apenas um fotógrafo motociclista dono de uma intruder de, apenas 125cc. Claro que pode parecer apenas isso já que ele estava mais que a trabalho que diversão por conta de ser dono do site motoflashbrasil, que cobre os eventos da região da grande Natal, e para isso participou no intuito de também trabalhar. Entretanto, por conta da necessidade terminou se transformando em operador de câmera. Ate ai nada demais, entretanto não mais de duas ou três vezes teve que fazer tomadas do comboio cortando as estradas e, por conta disto ser o ultimo do bonde, ainda tinha a obrigação de novamente passar a frente para nova tomada ou para exercer sua profissão. Simples, certo? Tente fazer isso numa moto de 125cc num bonde com motos de cilindradas bem maiores.

Inevitável que grupos se formem num bonde tão grande. Inevitável que grupos sejam tão distintos num bonde tão grande. Inevitável que alguns se divirtam mais que outros. Assim foi a turma dos guardiões, a turma da diversão. Na verdade a turma era formada por motociclistas de outros Motos clubes, mas como a maioria era dos Guardiões da Amizade, vale a este à designação. Logo se tipificaram por estarem sempre juntos e sempre saboreando alguma coisa, seja liquida ou solida. Também se tipificaram por não terem percebido que o bonde tomou um caminho do anteriormente planejado e terem que voltar atrás numa tentativa de perseguição ao bonde que não teve resultado durante o dia. Enfim foram ao ponto de encontro noturno.

Numa viagem deste porte tudo dói. No terceiro dia das palmas da mão ao tornozelo tudo dói especialmente às partes em contato com os bancos. Natural que as mulheres venham a sentir mais o cansado. Certo? Errado. A começar pela Presidente do Moto clube mototribo Potiguar; Graça, esta a única não garupa, mas super habituada a este tipo de desafio, com certificado Iron Butt. Não se ouviu nenhum murmurinho de nenhum tipo por parte da ala feminina. Sempre presente no tira e coloca jaqueta, balaclava, capacete às vezes num calor de mais de 30 graus. Parabéns as mulheres. Com certeza outras desejarão participar.
As rodovias:
O Brasil é um pais de belezas infindáveis. O nordeste também. Nada mais que natural em se enaltecer as belezas nordestinas e as do estado do Rio Grande do Norte. Do marco da BR 101 em Touros, passando pelas salinas de Macau, poços petrolíferos da região de Mossoró, sertão e seus mirantes de apelo religioso, tudo é bonito deste que você não olhe para baixo. Olhando perceberá a vergonha que são nossas estradas. Como se pode cumprir qualquer tipo de cronograma em tais condições? Talvez num rally seja possível. Claro, havia boas rodovias quando não novas, ao menos recuperadas, mas o padrão era mesmo de buracos e mais buracos. Claro, minha Kamila já tá tão habituada a isto que não sente falta das rodovias do sudeste brasileiro, sua terra de emplacamento e de primeiros desafios. Claro também que somos cientes do desafio que seria transitar em tais condições. Claro que o cronograma não foi cumprido o que fez com que alguns membros do grupo passagem a chamar a volta de não mais ‘abraçando o elefante’ e mais de ‘enforcando o elefante’. Claro que o desafio ficou para o ano que vem onde esperamos as rodovias em melhores condições e, claro que é uma decepção ver uma região tão linda sendo jogada ao relento pela irresponsabilidade de nossos governantes. Como se não pagássemos tantos impostos assim.
O futuro:
A pergunta que fica é: haverá futuro? O projeto é lindo a idéia sensacional que pode ser firmar no calendário de eventos do Rio Grande do Norte. O que se viu, na verdade, foi um ar de cansaço por parte de quem organizou o evento e não poderia ser diferente. A logística para mobilizar 80 motos, cinco carros mais de 120 pessoas para atender a todos no abastecimento, na estadia, na alimentação e nos problemas normais não é fácil. Talvez fosse o caso de se profissionalizar um pouco de tudo. Isso leva tempo e o auxilio maior que é o monetário ainda não existe. Precisamos persistir. É preciso trazer a mídia para trabalhar como cúmplice, é preciso trazer mais os motos clubes visitantes na organização da logística, é preciso ter patrocínios, inclusive estatal já que o evento é feito em homenagem ao aniversário do estado e o faz no sentido de mostrar as belezas naturais do estado. Na verdade vendemos o estado, mais ainda não temos compradores. Entretanto, desistir nunca. Com certeza voltaremos em 2010.
Vejam mais fotos em:
http://public.fotki.com/enoque
http://mototoflashbrasi.com.br
http://nossapaudosferrosrn.blogspot.com/
http://irmaosdoasfalto.blogspot.com/
Vejam o clip em http://www.youtube.com/watch?v=ulH96ZGG1oc
As imagens aqui mostradas são de meu acervo pessoal e dos sites: http://nossapaudosferrosrn.blogspot.com/ e http://mototoflashbrasi.com.br aos quais vão os devidos créditos.
Os originais das fotos podem ser fornecidos mediante contato para enoquepaulino@hotmail.com.
09/10/2010 at 5:39
É com satisfaçao q venho a esse site, por meio de um amigo da RN, q comentou o evento q se realiza nesse estado, parecido com q temos aqui no Sul (RGS). Aqui já estamos no 10° “Abraçando o Rio Grande”, realizado nos dias 18, 19 e 20 de setembro, com a participação de 350 inscritos. Porém, foram computados quase 600 motocicletas. O passeio é realizado com batedores da P. Federal e Estadual, onde nos deu muita segurança.
Veja no site: http://www.inema.com.br onde tem algumas fotos e vídeos do maior evento do sul do País de motocicleta.
Grande abraço.
Att: Frederico
09/10/2010 at 8:53
Amigo, aqui estamos no terceiro que se realizou este ano. Ainda estamos engatinhado, com muita coisa a se corrigir. Abraços amigo.
Enoque.’.