
Um evento
No último final de semana estive presente a um evento de motociclismo. Um dos muitos que freqüento, pois é um de meus hobbies preferidos e o único que me cura o estresse. O 8º Mossoró Moto Fest. Claro o evento é mais um destes muitos e muitos outros que acontecem por todo o Brasil. Nada muito diferente ou nada tão igual. Porque, então, participar de um evento assim tão repetitivo? A viagem, os amigos, o prazer de pertencer a uma tribo que respira motor e motociclismo.
Mossoró
Mossoró, segunda cidade do estado do Rio Grande do Norte fica a 270 quilômetros de distância da capital. Cidade próxima a uma das regiões salineiras do estado tem nos royalties pagos pela extração petróleo sua maior fonte de renda. A região de Mossoró e municípios próximos concentram a maior bacia petrolífera em solo do Brasil. Diferente, porém, do petróleo extraído do Mar o petróleo da região tem um alto custo de extração e muitas vezes se utiliza da injeção de água nos poços para que o óleo, preso nas fendas de rochas possam ser recuperados. O passo seguinte é a separação da água do óleo e seu refino.

Três coisas me fazem cruzar as estradas do Brasil em eventos moto ciclístico: a viagem; as pessoas e o bom e velho Rock & Roll.
A viagem
Na viagem, vale o prazer da motocada por cem duzentos quinhentos ou quem sabe alguns milhares de quilômetros. Não importa se é um dia ensolarado com o vento fresco a bater contra o peito ou, talvez, o céu enegrecido e promessas de queda d’água por horas e horas. Não importam os buracos, às vezes verdadeiras panelas; herança maldita de nossos dês-governos que sugam quase a metade da receita nacional em impostos injustos e mal aplicados. Não importam, também, as leis meio que malucas impostas a nos, motociclistas, como por exemplo os altos impostos cobrados por nosso objeto do prazer – a motocicleta e seus acessórios ou como a Lei Seca que, embora necessária e bem intencionada nos inibe a um dos maiores prazeres que é o do bate papo em um buteco na beira da estrada ou, ainda, (arg..) os malditos refletores nos capacetes. Não importa as dores na coluna ou o cóccix incomodando ou quem sabe aquela maldita abelha que se intromete por dentro da jaqueta provocando erupções de toda ordem e ardência que dura por horas e horas. Não importa nem o amigo do lado numa motocicleta de menor cilindrada que provoca maior cansaço pela baixa velocidade durante o trajeto nem tampouco outro numa super moto que roda a duzentos e cinqüenta e tantos de velocidade e nos cruza com um barulho ensurdecedor. Valem tudo pelo prazer de passar o dia em cima de uma moto curtindo a natureza e as belas paisagens, naturais e humanas. Retas tentadoras de se dobrar o punho, ou curvas desejosas de raspar a pedaleira riscando o asfalto. A viagem é um prazer à parte.
A música
Gosto de vários ritmos musicais, mas gosto mesmo é de um musica que tenha conteúdo. Melhor se tiver som e bela musica de bom gosto com um mínimo de ordem. Adoro o Blues e o Jazz. Adoro a sonoridade e o balanço destes dois ritmos e são meus preferidos, mas gosto, também, de um bom samba, um pouco do ritmo nordestino, do pop nacional e internacional. Agora, o bom mesmo é o velho rock and roll já que posso ter um pouco de todos os ritmos juntos. Um solo do BB king é tão maravilhoso quanto do Slash.
Melhor de tudo isso ainda é estar ao lado de quem gosta do mesmo ritmo; a mesma tribo. Melhor ainda se for alguém com DNA (data de nascimento antiga). Não que os compositores e ritmistas contemporâneos sejam piores ou melhores que os antigos, mas na verdade as baladas da década de sessenta a oitenta são inesquecíveis. Tanto que até hoje sobrevivem. As velhas bandas já com seus jurássicos componentes ainda persistem no cenário musical mundial, haja ver as recentes apresentações, no Brasil, dos Scorpions, Iron Maiden, MotorHead, citando apenas estes exemplos. As músicas ‘comerciais’ e ‘descartáveis’ tomaram conta da programação das rádios e das praças. Nas lojas fica cada vez mais difícil folhear um catálogo com bons Rocks ou um swing gostoso de um Blues. Todo o espaço é dedicado as letras fáceis de refrões repetitivos e insossos do balanço das bundinhas sejam no axé ou no funk ou, ainda, do pagode mela cuecas ou das batidas eletrônicas e letras que só lembram os beberrões e cabarés no new forro nordestino. Então para curtir boas horas de Rock com super companhias um dos melhores caminhos é a participação nos eventos de motociclistas, refúgio seguro do Rock & Roll. Claro que alguns, por força de contrato ou por conta da política já incluem ritmos outros, mas a estes a gente deixa nosso perdão. A sexta é somente nossa, no sábado fazemos ouvido de mercador.
Amigos
Amigos, amigos e figuras extraordinárias quando não bastante exóticas, eis a população dos eventos moto ciclísticos. Alguns buscam se tipificar copiando os velhos modelos americanos de grossos colares de ferro, pulseiras em couro, ornamentos do mais variados, outros mais naturalmente vestidos fazem sua marca. Alguns deles valem registros. Claro, as figuras são muitas e os amigos mais ainda. Um post é pouco para falar de muitos deles como deveria falar, mas de quatro deles gostaria de descrever um pouco de suas personalidades suas excentricidades e qualidades.
Cabo Lao
Meu amigo Cabo Lau é uma figura pequena de corpo, mas com um coração enorme. Cabelos grandes em um rosto barbudo costumam deixar a mostra sua barriga conservada a bastante chopp e alguns litros de cachaça. Montado em sua velha Shadow VT600, a Morena, Cabo Lao ou Pai Lao participa de quase todos os eventos da região de Pernambuco, Paraíba, Natal, Recife e Bahia. Morador da cidade de Toritama, em Pernambuco patrocina o Toritama Moto Fest, evento que quase sempre lhe rende um bando de credores pelo resto do ano. ‘É o amor pelos amigos e o prazer da companhia de todos’, finaliza Cabo Lau quando conversamos sobre a produção de seu evento motociclístico. Dono de uma condição fraterna já foi capaz de retirar o cabo do acelerador de sua moto e a colocou na minha em viagem de volta a Paulo Afonso já que minha moto quebrou o cabo. Dono de um carisma encanta a todos por onde passa e para todos tem tempo para um bom papo.

Miranda
Miranda, com seus aproximadamente 1,90 metros e uma pança que dever beirar medidas parecidas e outra figura de destaque. Integrante dos Abutre’s; Moto clube com mais de dez anos de existência e algumas centenas de facções espalhadas pelo Brasil, este pernambucano esbanja bom humor e boa conversa esteja onde estiver. Dono de uma marca de roupas de couro, e acessórios dos mais variados; a Jack Búfalo, Miranda pode ser encontrado sempre a frente de sua barraca rodeado por amigos. Expositor e presidente da associação de expositores da região nordestina. Incansável companheira de vida e de trabalho sua esposa, mais conhecida como ‘baixinha’ estão sempre dispostos a um bom negócio.

Gorette
Gorette é uma mulher destemida e amiga. Chateada pelos pequenos problemas de saúde que a tem impedido de fazer o que mais gosta é uma estradeira nata. Sempre disposta a receber bem; tem sua base em Paulo Afonso e por lá encontra os amigos que cruzam a estrada seja subindo seja descendo o Brasil. Companheira de Moto Clube, os Dragões Templários, adora sua CB 450 que costuma pilotar em companhia de amigos nos eventos próximos a sua região.
Esses são figurinhas de capa. Há outros. Claro que falo da minha área de visitas contumaz que engloba os estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Eventualmente desço até a região Sul, mas especificamente para o interior Paulista. Lá eu tenho meu terceiro personagem, mas neste caso a excentricidade dá lugar ao Carisma, o bom humor e o lado fraterno e líder do meu amigo Crauduxo.
Seo Craudio
Claudio, um motociclista de estatura mediana, de uma careca famosa por seus pares é o presidente dos Sombreros, uma mistura de moto clube com moto grupo que às vezes mais parece um grupo familiar, apenas, de aficionados por motocicleta, Rock & Roll e, logicamente cervejas. Amigo desde que estive na região em treinamentos foi uma das razões que me fez rodar sete mil quilômetros, mais ou menos, para participar do aniversário de meu moto clube – Sombreros – e, digamos que valeu cada quilômetro. Líder de um grupo de gente do tipo ‘sangue bom’ congrega alegria, companheirismo, e camaradagem. Um porto sempre que percorro a região do interior de São Paulo.

Claro, são três em mais de trezentos ou até mais de amigos, cada um com uma excentricidade qualquer, como a ‘marcar’ um personagem na tribo. O casal de cowboys do Cowboys do Asfalto de Recife que trocam o capacete pelos chapéus assim que chegam aos eventos e somente os retiram na viagem de retorno; Estalone, um amigão de quase dois metros de altura acima e nas laterais, o Vaqueiro dos Cabras da Peste, Vovô Alexandre e do ‘Carioca’, dos Clã Destino; pernambucano natural do Rio de Janeiro e Maia, diretor da regional, nordestina do Abutre’s MC e proprietário da revista Eletrônica moto clubes, nosso ponto de encontro das resenhas e imagens dos eventos. Nos lados do RN e bem próximo de mim, Jacaré dos Guardiões da Amizade, amigo de estradas, nalgumas vezes com sua esposa Selma um casal nota dez mil, Brutus uma figura que emplacou seu nome, no meio com seu aspecto físico avantajado em altura e largura, mas com um coração enorme e uma excelente opção de companhia de vigem. A este grupo dos ‘grandes’ motociclistas posso, ainda, incluir Titão com alturas e pesos não muito diferentes das de Brutus, Estalone e Miranda, ma também com um coração impar como todos os anteriores. Ainda na minha área uma figura que brilha é o Jean, moreno magro e baixo com sua intruder de 250 cc e guidão alto e retorcido. Morcegão presidente de meu primeiro Moto Clube, o B-17 de Parnamirim/RN. Graça a primeira mulher a ter o certificado do Iron butt no estado do Rio Grande do Norte e presidente do Motoribo Potiguar. Ufa, viram que a lista é imensa. Impossível ser de listada apenas num post.
O evento
O evento foi sensacional na sexta a noite que tem sido o dia mais propício para o encontro dos grupos motociclístico. Neste dia a conversa e as biritas, regadas ao ritmo do Rock & Roll costumam ir até o inicio da manha do sábado. No sábado um churrasco 0800, que tem sido marca dos eventos do Nordeste, excetuando Bahia, já que nos eventos da linha de baixo da cintura do Brasil não tem por tradição oferecer churrascos ou feijoadas 0800, como acontece na linha de cima. O churrasco tem sido marca registrada do moto clube Carcarás do Asfalto, muito possivelmente o melhor da região servidor na sede e clube que tem uma estrutura muito boa para a cngregar um grande número de pessoas. Comida farta, som gostoso, cerveja gelada, costumam prolongar o churrasco até o inicio da noite.
Lobos do Asfalto
A noite do sábado, um show sensacional dos Lobos do Asfalto de Fortaleza – Ceará que atraiu praticamente todo o publico presente graças a desempenho de seu Singer Band, figura de uma energia e capacidade de entretenimento fenomenal. A curiosidade ficou por conta do final do show da Banda que parecia marcar o fim da festa, claro que não era. De repente mais da metade do público começou a deixar a area do evento, inclusive motociclistas. Parecia final de festa, mas ainda eram vinte e três horas, apenas.

No sábado, a participação da cidade é muito maior fazendo com que o evento tenha um publico mais heterogêneo, afinal de contas o evento não é apenas para motociclistas, a participação popular também é desejada. Além do mais Mossoró é uma cidade com bastante opção de bares e restaurantes. O publico que prefere ou preferiu outras atrações após o show da banda Lobos do Asfalto deixou o evento com uma cara de final de festa com o relógio restando ainda mais de duas horas de show de nova banda.
Domingo, dia de retorno nos foi brindado com um céu azul celeste e um sol bastante quente apesar dos ventos que costuma soprar na região nesta época do ano, forte e lateral.
Bom, final de semana perfeito, baterias carregadas e saudade já me convidando para visitar o amigo Baiano na festa em Santa Cruz. Vejo a todos por lá.
Amigos:
São Paulo: Seo Craudio;Parmito, Mugão e Mugona, Meira e Telma,Castrado,Vidal Gold e OMárcia (que é do sexo masculino) Klein e Beth, Fabião, Sérgio ‘Coelho’; DT – Sombrero Ramone Loco; Marcelo Darri
Santa Catarina:Iraíde e Edegar dos Lords
Petrolina:Uilton e Leo Kavalero dos Kavaleiros do Asfalto
Caruaru: Soares e Paulino do Aguias do Agreste
Bezerros
edro Faria do Bezerros Moto Clube
Rio Grande do Norte:Lenon, atualmente em Angola, Alvaro do rota 230, Tarcisão de Caicó/RN do Liberdade no Asfalto; Luiz Galvão o famoso ‘Rei Zulú’ e vovô Áureo dos Falcões; Augusto e Dorian do Mototribo Potiguar, Parea, Sergão e Igor dos Guardiões da Amizade, Ratão e Roboson tríades de dragões no RN (Dragões do Asfalto, Black Dragon e Dragões Templários); Guga de Mossoró; Eduardo de Assu/RN; Baiano de Santa Cruz/RN dos Amigos do Asfalto; Pereira e o casal Jean e Rossana dos Reis Magos MC em Extremoz/RN, Ivanildo em Ceará Mirim/RN; Kaio, Leley, Moacyr e Hipólito dos Gargalheiras Moto Clube; Junior e Marcão do Cactus Moto Clube e Bodes do Asfalto
Moto Clube B-17:Jorge Koch; Mandela; Jeronimo; Adriano Caveira; Pit Bull; Ceará; Titão; Morcegão; Melo e Cida; Heraldo ‘Imbecil’; Brutus; Titão e Marilene;Fabinho; O ‘modelo’ Castelo Branco; Tavares e ‘Amor de Bebo’
Paulo Afonso:Fernanda, Silva, Josi das Charmosas do Asfalto; Vanesa e Rosa das Morenas do Asfalto e Lindomar e Zerado casal nota dez mil que sempre me recebem com bastante carinho. Um abraço especial.
Abutre’s MC: Maia; Miranda e Bruxo;
Imagens:
As imagens aqui expostas foram extraida de meu acervo pessoal e dos sites: www.revistamotoclubes.com.br; www.cavalodoido.com.br; aos quais vão os devidos créditos